Data Challenge Santander procura novos talentos para processar dados

Seis empresas, sete universidades, 75 mil euros em prémios para quem descobrir melhores soluções neste desafio promovido pelo Santander Universidades
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Gerir, valorizar e proteger volumes crescentes de dados: o objetivo é desenvolver soluções que deem resposta a estes desafios que a indústria enfrenta. Foi para isso que a UPTEC - Parque de Ciência e Tecnologia da U.Porto e a UC Business, do Gabinete de Transferência de Tecnologia da Universidade de Coimbra, decidiram coorganizar o Data Challenge Santander, que é promovido pelo Santander Universidades. O desafio está lançado, a participação é gratuita, as inscrições só abrem a 30 de agosto, mas os interessados já podem manifestar o seu interesse no site do programa, e em jogo estão 75 mil euros em prémios.

"O Data Challenge Santander é um programa inovador, disruptivo do ponto de vista de programas de estímulo ao empreendedorismo e à geração de negócios e de valorização do conhecimento gerado a partir dos múltiplos dados que são desenvolvidos e produzidos pelas empresas.", diz Nuno Mendonça, coordenador do UC Business.

Segundo este responsável, há muita informação que é desenvolvida pelas empresas e o que o Data Challenge pretende fazer é dar ao mercado soluções tecnológicas que lhes permita o aproveitamento dessa informação

Também Maria de Oliveira, diretora de Negócios da UPTEC, frisa que "o programa Data Challenge tem como grande objetivo promover uma mudança de mentalidades e fornecer as ferramentas necessárias para a criação de novos negócios baseados na valorização dos dados".

"É um programa pioneiro em Portugal, até porque esta temática é pouco explorada no nosso país, embora seja de interesse genérico a vários setores industriais", diz Maria de Oliveira. Apesar dessa vertente transversal, a responsável do Parque Tecnológico da U.Porto avança que o Data Challenge vai agregar casos reais, ou seja, desafios propostos por um grupo de empresas parceiras.

Estas são, ao todo, seis - Altice, Bluepharma, Bosch, Prozis, Santander e Sogrape - e irão apresentar desafios de gestão, valorização e segurança de dados em seis áreas distintas: telecom, indústria farmacêutica, cidades inteligentes, eCommerce, banca/seguros e cadeia de abastecimento, respetivamente. Ao longo do programa, os participantes vão trabalhar nestes desafios e desenvolver ideias de negócio que os tentem solucionar.

Mas, como explicou Maria de Oliveira, "para além dos desafios que serão conhecidos, em cada temática, vamos deixar um desafio em aberto, ou seja, um campo aberto, que é para apresentarem ideias não necessariamente que vão ao encontro daquele desafio, mas que possam ser interessantes para o setor e, assim, também estimular um bocadinho ou dar azo a que possa haver uma maior criatividade ou a uma das chamadas ideias fora da caixa".

O Data Challenge Santander é dirigido a estudantes, investigadores e recém-licenciados de qualquer universidade e instituto politécnico do país. "O programa está aberta para todos os estudantes do ensino superior independentemente da sua área de formação, até porque muitos destes desafios têm aqui uma componente social e até de psicologia, de economia, da própria matemática e de engenharia, mas é muito transversal", sublinha Maria de Oliveira.

As características procuradas nestes jovens empreendedores, avança Nuno Mendonça, "são uma capacidade de aproveitamento de informação, que eles vejam que há dados que estão subaproveitados e que queiram arranjar soluções técnicas para os valorizar. Ou seja, o espírito empreendedor na sua máxima essência, mas muito direcionado à ciência tática, que é algo em que no nosso país cada vez mais todas as universidades ou politécnicos estão a investir, do ponto de vista da formação".

Este programa conta com a colaboração de sete Universidades, cuja participação ativa pretende contribuir para a resolução de problemas. Entre os parceiros académicos constam a Universidade Beira Interior, Universidade de Coimbra, Universidade de Évora, Universidade Nova Lisboa, Universidade da Madeira, Universidade do Porto e Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

"Temos um grupo muito alargado de universidades que colaboram ativamente no programa, não só através dos seus experts, que vão fornecer conteúdos, mas também da sua divulgação perante os estudantes", informou Maria de Oliveira.

Os prémios do Data Challenge ascendem os 75 mil euros. Para além de um prémio pecuniário de 2.500 euros, o vencedor de cada área tem acesso a incubação - durante 4 meses - numa das estruturas de incubação parceiras e a uma formação em temas associados à inteligência artificial do I2A2 - Institut d'Intelligence Artificielle Appliquée, no valor de dez mil euros.

Ao explicar o lado disruptivo de um programa como o Data Challenge Santander, o coordenador do UC Business fala em conseguir soluções que gerem valor a partir de dados de empresas até aqui desaproveitados. Mas que tipo de dados?

Por exemplo, "dados gerados a partir dos perfis de consumo dos seus produtos ou do próprio fornecimento ao mercado dos seus serviços", explica Nuno Mendonça. Se bem aproveitados e interpretados, são dados que lhes permitem criar táticas e soluções técnicas que poderão ser incorporadas nos sistemas produtivos das empresas, acrescentando-lhes valor, continua o responsável.

Já a diretora de Negócios do UPTec salienta que os dados não são só números, que há vários tipos de dados e que é preciso olhar para a forma como são obtidos, como estão organizados e como é que se consegue retirar deles informação relevante.

"Porque cada vez mais estamos no mundo digital em que é possível obter uma quantidade imensa de dados, mas nem sempre se consegue extrair daí a informação que é necessária. Depois, como é que o fator humano pode enviesar a interpretação dos mesmos dados? Já ouvimos falar todos de algoritmos que, de alguma maneira, levam os nossos preconceitos também para a sua avaliação. A privacidade e a ética no tratamento desses dados? Eu, como fornecedor de dados, de que forma é que me sinto seguro? De que forma é que acho que os meus dados vão ser utilizados com o meu conhecimento ou sem o meu conhecimento?"

Tudo isto são questões que integram os tais desafios transversais a vários setores a que a responsável já tinha feito referência. Mas o Data Challenge vai ter desafios específicos das áreas das seis empresas parceiras, que só serão revelados a 30 de agosto, com a abertura das candidaturas. Mas Maria de Oliveira levantou já um pouco o véu do que os candidatos poderão vira encontrar.

"Temos desafios que vão estar muito ligados à questão de como é que conseguimos perceber a sofisticação tecnológica de um agregado familiar [através] do número de dispositivos que eles têm ligados em rede, de que forma é que podemos avançar com recomendações para os utilizadores de serviços de streaming que permitam perceber o que é que eles querem antes mesmo de eles decidirem e, a partir daí, aumentar também as taxas de retenção, como é que levamos os consumidores a partilhar mais dados de uma forma informada para obterem benefícios, benefícios esses que podem ser financeiros ou de crédito, mas também a nível da sustentabilidade e de sentir que se contribui mais assim para diminuir a sua pegada ambiental, fidelização de clientes..."

Mas com tanto empenho de tanta gente, empresas e academias em chegar a mais dados, não estaremos todos nós a correr o risco de ficar mais vulneráveis?

O coordenador do UC Business considera que não. "É exatamente para isso que estes programas de Data Challenge servem", afiançou Nuno Mendonça, "porque algumas das soluções podem ser centradas na proteção desses mesmos dados, na otimização da sua gestão não para um aproveitamento comercial tácito por parte da empresa, mas para uma melhor segurança dos dados que a empresa pode ou não disponibilizar a parceiros - há as suas agências de marketing e os diferentes parceiros com quem as empresas trabalham -, mas possam utilizar soluções, desenvolvidas durante este programa, que melhorem esses desempenhos".

"Ou seja, uma das soluções, um dos objetivos também passa por um melhor e mais saudável aproveitamento de toda a informação", voltou a frisar Nuno Mendonça.

No final, o que é que o UC Business, enquanto entidade coorganizadora espera retirar do Data Challenge Santander?

"O UC Business é um Gabinete de Transferência de Tecnologia da Universidade de Coimbra", sublinhou Nuno Mendonça. "O que nós esperamos retirar é uma dinamização por parte dos alunos, que possam ver como solução de empreendedorismo, soluções de autoemprego, a entrada no mundo dos dados e na gestão deste tipo de informação e que nos permita a nós efetivar também alguma transferência de conhecimento para o mercado, ao mesmo tempo que vamos capacitando também os alunos da Universidade de Coimbra para estarem mais preparados para um empreendedorismo de futuro, que é este da gestão de dados", concluiu o responsável.

UM ponto de vista que vai ao encontra da perspetiva da diretora-geral do Santander Universidades em Portugal. "Faz parte das iniciativas do Santander Universidades promover a proximidade entre o meio académico e as empresas, o Data Challenge vai exatamente nesse sentido. É um projeto win-win para os vários intervenientes, incentivando inovação e espírito empreendedor", afirmou Sofia Frére.

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