Sete concertos não eram suficientes. André Rieu volta a Lisboa em novembro

Violinista holandês quer tornar a música clássica mais acessível a todos: em Portugal já vendeu mais de 80 mil bilhetes

Sete não eram suficientes. Depois de esgotar sete concertos na Altice Arena, Lisboa, em março, o músico André Rieu anunciou mais uma data: 20 novembro. "Estou muito feliz por poder dizer que vamos voltar para fazer mais um concerto. Ou dois. Ou três. Não sei", ri-se o violinista e maestro ao dar a novidade numa conferência de imprensa esta segunda-feira, em Lisboa, em que se apresentou em português quase perfeito: "Eu sou o mestre André".

Foi uma visita relâmpago. O músico holandês anda em digressão pela Europa com a sua Orquestra Johann Strauss, com concertos quase todos os dias, enchendo salas, com espetáculos em que toca algumas das suas melodias favoritas "de óperas, musicais, filmes e canções tradicionais e, claro, valsas românticas", mas ficou espantado com o facto de os bilhetes para as datas portuguesas se venderem com tanta facilidade e de o público continuar a pedir mais concertos. "Tínhamos que voltar", conclui.

O segredo para tamanho sucesso? Antes de mais, o amor que tem por aquilo que faz. E, depois, o humor que imprime aos seus espetáculos, explica o músico de 69 anos. "Não há nada melhor do que o humor, tanto na música como na vida, na política, em tudo. Pode-se resolver muitos problemas e muitos conflitos com humor." Na sua opinião, "as pessoas sentem falta de estar felizes umas com as outras" e de partilharem este tipo de experiências em conjunto: "As pessoas vêm ao meu concerto e choram, riem, dançam, cantam e no final até ficam amigos das pessoas que se sentaram ao seu lado e que antes eram estranhas. Cria-se uma ligação."

O que podemos então esperar destes concertos que vão acontecer nos dias 13, 14, 15, 16, 29 e 30 de março (neste dia com duas apresentações) e nos quais vai tocar para mais de 80 mil pessoas? "Será uma noite que nunca esquecerão. A música une as pessoas e no final acaba sempre como uma festa. Vamos abrir os nossos corações uns aos outros. O público e nós, os músicos. Vamos passar um serão juntos e espero que quando as pessoas voltem para casa se perguntem: quando foi a última vez que nos divertimos assim tanto?"

Filho de um maestro, da Orquestra Sinfónica de Maastricht, André Rieu começou a aprender música aos cinco anos e escolheu o violino como seu instrumento. "Quando eu era pequeno, estava sempre a tocar. E a minha mãe dizia-me: André, devias estudar, não tocar. Mas eu tocava, tocava todas as músicas, porque era o que eu gostava", recorda.

Fundou a sua primeira orquestra em 1978 e, em 1987, criou a Orquestra Joahnn Strauss inicialmente com 12 elementos e que hoje em dia tem mais de 60 elementos de 13 nacionalidades diferentes. A eles, juntam-se os cantores, de coro e solistas. Desde então, as suas apresentações de repertório clássico interpretado como se se tratasse de um concerto de rock têm conquistado espectadores um pouco por todo o mundo. "Quero tornar a música clássica mais acessível", explica. "A música clássica tornou-se muito formal. Toda a gente se veste muito bem para ir aos concertos e ficam muito quietos. Mas perdeu-se o humor. A elite raptou a música clássica e disse que lhe pertencia. E é isso que eu quero mudar. Quero que seja para todos. No tempo de Mozart, toda a gente assobiava as suas músicas nas ruas. E depois, em algum momento na história, agarraram a música clássica e aprisionaram-na. Perdeu-se a alegria."

"O mais importante quando se toca é ser livre e estar feliz. Não é só mostrar que tocamos bem, que somos melhores do que os outros." Não admira, por isso, que na orquestra, depois do último concerto, antes das férias, os músicos em vez de sentirem aliviados se sintam tristes: "No último dia, estão todos a chorar, somos como uma grande família." E isso depois nota-se em palco, diz.

Nos seus espetáculos, todos os detalhes são pensados: desde os figurinos (que ele próprio escolhe, porque gosta que as intérpretes usem roupas coloridas, como se fossem para uma festa em vez da habitual roupa escura e discreta) aos cenários, passando pela luz. "Os pormenores podem mesmo fazer a diferença", garante.

Esta não é a primeira vez que André Rieu vai tocar em Lisboa: "Atuei no Coliseu de Lisboa há 20 anos e lembro-me que nessa noite disse à minha mulher, Marjorie: os lisboetas são os melhores bailarinos". Desta vez, espera voltar a ver essa alegria na plateia e, como sempre, está a preparar uma música especial para o músico português: "Mas não vou dizer qual é!"

Uma coisa é certa: não vão faltar valsas. "A valsa é um espelho da vida, não é apenas alegria mas também tem melancolia. A vida não é só rir nem só chorar". E o maestro sabe dançar? André Rieu sorri e evita a resposta: "Deixem-me tocar e vocês dançam a valsa, pode ser?"

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