Apetece dizer que, em termos de cinema, mais italiano que Robert Rossellini (1906-1977) não haverá... Daí que, paralelamente ao ciclo "A Itália vista por...", seja possível reencontrar uma dezena de filmes de Rossellini, para já em Lisboa (Nimas) e Porto (Trindade), com presença noutras salas do país a partir de setembro..Se considerarmos que, depois de A Tomada do Poder por Luís XIV (1966), há um Rossellini televisivo (quer dizer, apostado em valorizar as possibilidades narrativas e o valor pedagógico da televisão), então este é um ciclo sobre o período inicial - puramente cinematográfico, entenda-se. Vai dos títulos emblemáticos do neo-realismo, incluindo Roma, Cidade Aberta (1945) e Alemanha, Ano Zero (1948) até à singular experiência de Índia (1959). De uma maneira ou de outra, são obras que esclarecem as relações entre documentário e ficção no universo rosselliniano: não dois registos paralelos, antes duas linguagens em permanente comunicação narrativa e contaminação formal..Entre os filmes com Ingrid Bergman, será forçoso destacar Viagem em Itália (1954), porta de entrada na modernidade que celebra o cinema, não como "espelho" da vida, mas acontecimento vital, enredado na vida dos humanos. Porventura menos conhecido, atenção ao díptico O Amor (1948), incluindo uma versão de A Voz Humana, de Jean Cocteau, interpretada pela admirável Anna Magnani..dnot@dn.pt