O realizador português João Canijo morreu esta quinta-feira (29), aos 68 anos, disse à Lusa fonte da produtora Midas Filmes.De acordo com a mesma fonte, o realizador morreu perto de Vila Viçosa, distrito de Évora, onde repartia habitualmente residência com Lisboa, não tendo sido adiantada a causa de morte.João Canijo, que completou 68 anos em dezembro passado, estava a finalizar o mais recente projeto de cinema, o filme “Encenação”, assim como a filmagem, há cerca de duas semanas, de uma peça de teatro com ele relacionada. .Governo fala em "perda irreparável para a cultura portuguesa". O Governo, através da ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, lamentou esta sexta-feira (30) “com profundo pesar” a morte do cineasta, que descreve como “figura maior do cinema português contemporâneo”.Em comunicado, o realizador é descrito como “figura maior do cinema português contemporâneo, com uma obra que tem tanto rigor formal como intensidade emocional”, destacando-se ser “especialmente sensível a captar dinâmicas familiares e personagens femininas”.“A morte inesperada de João Canijo representa uma perda irreparável para a cultura portuguesa. A sua obra - intensa, realista, exigente e profundamente humanista - deixa um legado que nos merece todo o respeito e admiração”, lê-se ainda. .Marcelo fala de um "cronista de um país que nem sempre queremos ver".queremos verTambém o presidente da República lamentou a mprte do cineasta, lembrando que este "tinha tido recentemente o seu momento de consagração com o díptico Mal Viver e Viver Mal, uma poderosa tragédia (e comédia) a partir de Strindberg que multiplicava as vozes e os pontos de vista num único cenário"."Há décadas que o cineasta vinha filmando o lado B de Portugal, a miséria, a emigração, a violência e o “mau-gosto”, num registo entre o melodrama, o documentário e o teatral, projeto que passava por um longo trabalho coletivo com os atores", lembra Marcelo Rebelo de Sousa em nota publicada no site da presidência."A sua morte precoce priva-nos de uma voz forte e singular no momento da sua maior afirmação, incluindo a projecção internacional", remata, "prestando homenagem ao meticuloso e destemido cronista de um país que nem sempre queremos ver".João Manuel Altavilla Canijo nasceu em 1957 no Porto, onde frequentou o curso de História na Faculdade de Letras entre 1978 e 1980, tendo descoberto a paixão pelo cinema logo de seguida.No meio iniciou-se como assistente de realização de Manoel de Oliveira, Wim Wenders, Alain Tanner e Werner Schroeter, entre outros, como recordavam os autores de uma entrevista feita para o projeto “Novas & velhas tendências no cinema português contemporâneo” da Escola Superior de Teatro e Cinema publicada em 2011.