"Pensei que não seria o tipo certo para o papel de Tommy Lee"

Na Disney +, a série Pam & Tommy conta a odisseia da revelação do infame vídeo caseiro entre Pamela Anderson e Tommy Lee. Ficção televisiva com ideias de cinema e um ator a superar-se, Sebastian Stan, o Tommy dos Motley Crew. O DN falou com ele.

Sebastian Stan é um dos novos leading man em Hollywood. Este romeno-americano tem uma frescura na maneira de ser protagonista que difere do habitual. O seu acting é naturalista e as transformações físicas não alteram a sua qualidade e presença de câmara. Nos cinemas é um dos adversários de Jessica Chastain, Penélope Cruz e companhia em Agentes 355, mas por estes dias só se fala dele pelo que conseguiu na nova série de Craig Gillespie, Pam & Tommy, crónica de um escândalo americano dos anos 1990. Uma série com cinema que desembarca agora na Disney +. Ficção televisiva para adultos com o olhar criativo do responsável de filmes como Cruella ou Eu, Tonya.

Stan torna-se literalmente Tommy Lee , o marido de Pamela Anderson. Tatuado, cabeludo e com um olhar de farra que é fulminante. Distraímo-nos e por momentos esquecemos que se trata de Stan e julgamos mesmo ser Tommy, o baterista dos Motley Crew, banda de hard-rock que foi relevante nos EUA antes da euforia do grunge de Seatlle, embora este músico rebelde seja mais conhecido pela cassete sexual que se tornou pública, a famosa cena de intimidade de um casal que foi vista pelo mundo inteiro depois de ser roubada da sua mansão. A série aborda os efeitos desse escândalo que mudou a perceção de um dos casais mais celebrados do universo da cultura rock n" roll.

De Los Angeles, Sebastian Stan fala ao DN com uma disponibilidade rara via videochamada. Perguntamos-lhe como foi encarnar a pose macho da estrela de rock masculina e, sobretudo, se estava preparado para contracenar com uma prótese que fingia ser o seu pénis em diálogo surreal logo no segundo episódio. "Tive muito medo quando li este guião, não só por ter de falar com o meu pénis. Medo porque pensei que não seria o tipo certo para este papel. Mas a verdade é que o realizador Craig Gillespie tinha essa fezada e eu confio nele. Acabei por sair da minha zona de conforto e segui-lo nesta caminhada... Ajudou também que fosse um argumento bem escrito e a cadência dos diálogos de Tommy Lee já estava na página. Essencialmente foi como seguir um mapa, os argumentistas sabiam o que faziam. A cena em que falo com o pénis erecto é um espelho daquilo que está no livro autobiográfico de Tommy Lee", responde sem rir. Se o processo de composição de Stan é verdadeiramente rock n" roll, esta série tem outros atores a transformarem-se sem apresentar tiques de caricatura. Seth Rogen é o ladrão improvável e está com um novo visual que deixa qualquer um de boca aberta, mas o espanto está em Lily James. A atriz britânica de Mamma Mia! é uma Pamela Anderson profundamente credível, embora a personagem não seja uma homenagem à inteligência da estrela de Barb Wire.

Seja como for, Stan tem uma opinião muito firme sobre a sex tape que valeu milhões de dólares: "O conteúdo daquela cassete era algo íntimo e mostrava um jovem casal muito ligado! Eles estavam a gravar o seu amor e isso só a eles dizia respeito. Nós não temos nada a ver com aquilo... Aquela cassete foi um grande crime americano e Pamela e Tommy foram vítimas. A dada altura ninguém olhava para eles como seres humanos. Só víamos o casal famoso, a deusa sexual... Tentem-se colocar no lugar dela, grávida e perseguida daquela maneira... Esta série talvez possa ajudar a compreender algo que na altura ninguém percebeu".

Quem aderir a Pam & Tommy talvez fique espantado pela componente erótica da descrição da ligação deste casal, para além do olhar à indústria porno em paralelo. Não se duvide, é uma série de bola muito vermelha, feita essencialmente para um público adulto, mesmo que em Portugal esteja a chegar à Disney +... A nudez de Lily James e de Sebastian Stan não é nada gratuita mas o ator confirma não ter sido fácil: "Para mim, cenas de intimidade são sempre embaraçosas, quanto mais não seja porque estamos nus em frente a uma equipa de cerca de 50 pessoas. Nesta série felizmente tivemos um coordenador de intimidade. Eu, a Lily, esse coordenador e o Craig Gillespie falávamos sempre muito antes de cada cena. Para nós era sempre importante perguntar se essas cenas eram relevantes e se ajudavam a contar a série. A comunicação acabou por ser importante, tinha de haver uma grande abertura para haver confiança". Uma série sobre o maior escândalo sexual do showbizz americano não poderia ficar pudica. Resta apenas saber se Pam & Tommy não inspira algum argumentista português a escrever a história do vídeo do arquiteto Tomás Taveira...

dnot@dn.pt

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