O que há de novo para ver em quarentena na Netflix

Ben Affleck, Anne Hathway, Amy Ryan e Willem Dafoe são as estrelas dos novos filmes que estão disponíveis na Netflix. Mas é a série I Am Not Ok With This, com Sophia Lillis, que é o grande tesouro do gigante do streaming.

Com cinemas fechados, estreias canceladas e o bom-senso a colocar as pessoas em casa, o "home cinema" ganha uma nova força. Uma força que o próprio mercado já começa a compreender com notícias de antecipações de filmes a chegar aos clubes de vídeo virtuais e um maior impacto dos filmes em estreia no "streaming". Há quem acredite que a chegada das medidas de isolamento face à pandemia atual ajude ainda mais a consagração de plataformas como a Netflix ou HBO, não deixando de ser curioso que em Portugal a Disney + ainda não poder lucrar com a situação.

Na Netflix, uma das suas mais badaladas novidades, Spenser: Confidencial, de Peter Berg, já está no top dos mais vistos. Um Netflix Original que é mais uma reunião entre Mark Whalberg e o realizador. Um policial sobre um polícia de Boston acabado de cumprir pena por agredir o seu chefe. Mal se encontra em liberdade acaba por se envolver numa investigação da morte do seu antigo chefe, fazendo parelha com um jovem "boxeur".

Spenser:Confidencial é um filme de ação rotineiro com temperos de narrativa de investigação. O seu humor confunde-se com ligeireza desnecessária e o aparato das cenas de perseguição é fogo-de-vista fútil. É daqueles casos que se tivesse estreado nos cinemas arriscar-se-ia a ser um fracasso comercial...Valha-nos Wiston Duke, uma das estrelas em ascensão em Hollywood, conhecido entre nós no papel de marido de Lupita Nyong'o em Nós. É ele quem dá alguma energia à fórmula da parelha "improvável".

Novidade ainda mais recente é Lost Girls, de Liz Garbus, lançado no Festival Sundance e desde sexta-feira no cardápio da Netflix. Trata-se de uma história verdadeira a partir dos factos de um caso de desaparecimento de uma prostituta que desencadeia uma descoberta de diversos cadáveres de raparigas em Long Island, Nova Iorque. Um caso que é relatado do ponto de vista da mãe da prostituta desaparecida.

Amy Ryan é a protagonista de uma obra que está indecisa entre a obrigatoriedade das regras do "thriller" de puzzle para descobrirmos o criminoso e o drama humano que descreve a dor de uma família e de uma comunidade. Liz Garbus, cineasta vinda do documentário usa e abusa de um visual floreado e com excesso de truques de luz e do tão na moda "foca/desfoca" em todos os planos. Cansa muito e nunca afasta a possibilidade de podermos estar na presença de um eventual episódio piloto de uma série de televisão. Lost Girls é produto para encher catálogo mesmo demonstrando níveis de competência q.b.

O outro filme em destaque nas novidades Netflix é também um título vindo com o prestígio de Sundance, A Sua Última Vontade, de Dee Rees, cineasta afro-americana a querer fazer Nova Hollywood dos 70 com um guião estafado e pastoso inspirado na morte de Elena McMahon (Anne Hathway), repórter liberal que em plena campanha da reeleição de Reagan deixa o seu jornal para cuidar do pai moribundo (um Willem Dafoe sempre bem...) e, subitamente, se vê envolvida numa missão ilegal que envolve ações políticas da CIA América do Sul e tráfico de droga.

Mesmo com nomes como Anne Hathaway, Willem Dafoe e Ben Affleck, A Sua Última Vontade é um conto de espionagem com clichés a mais e uma realização perdida em lugares comuns daqueles que fazem com que o espetador perceba a léguas as motivações dos vilões e a crítica ao sistema americano. Um exemplo de cinema com denúncia de liberalismo sem carisma e com imensos problemas na progressão do "storyline". Se por um lado há uma intenção de entreter com cenas de suspense na selva da Costa Rica, por outro há uma série de equívocos quando tenta ser emocional nos problemas pessoais da jornalista, do cancro da mama ao trauma de se ter afastado da sua filha. Uma desilusão grande que nos EUA foi destruída pela crítica.

Felizmente, na Netflix há uma das melhores séries dos últimos anos, I Am Not Ok with This, a partir da banda-desenhada de Charles Forsman, um conto de crescimento no feminino sobre uma jovem que descobre ter sérios problemas de controlo de fúria. Visionário e com um humor transgressivo, I Am Not Ok With This é uma prova de que a ficção americana em formato de série continua a ser onde há um maior espaço para invenção narrativa.

estarem a aumentar.

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