O charme dos grandes clássicos

De 21 de Maio a 27 de agosto, o DN volta a propor aos seus leitores alguns dos grandes clássicos da nossa literatura. De Gil Vicente a Raul Brandão, são quatro séculos da nossa melhor prosa e poesia

De Gil Vicente a Raul Brandão, a língua portuguesa mudou tanto quanto o país, mas a reflexão sobre Portugal enquanto nação é uma constante da nossa melhor Literatura. Ao longo de 15 semanas, a 2ª série da coleção "Essenciais da Literatura Portuguesa", publicada com o DN, volta a propor uma "viagem" através de alguns dos nossos clássicos mais importantes. Lá estão o romance, o teatro, a crónica e a poesia, num período cronológico que se estende do princípio do século XVI ao século XX: Antero de Quental, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Camilo Castelo Branco, Gil Vicente, Luís de Camões, Guerra Junqueiro e muitos mais. Para colecionar às sextas feiras, de 21 de maio a 27 de agosto, por apenas mais 4.95 cêntimos, com o seu jornal.

21 de maio - Os Maias, de Eça de Queirós

Subintitulada "Cenas da Vida Romântica", a obra mais ambiciosa de Eça de Queirós conta os amores trágicos de Carlos Eduardo da Maia e Maria Eduarda que, no auge da paixão, descobrirão que a curiosa parecença dos seus nomes era, afinal, a face visível de um parentesco demasiado próximo. Mas o enredo, avassalador como uma tragédia grega, é apenas um dos muitos méritos da obra, que traça um retrato implacável, mas tão saboroso como só a prosa de Eça consegue ser, de uma certa burguesia lisboeta na segunda metade do século XIX. Para a História da Literatura portuguesa ficou uma inesquecível galeria de personagens em que avultam Carlos Eduardo da Maia, João da Ega, Maria Eduarda, Maria Monforte, Dâmaso Salcede ou Tomás de Alencar.

28 de maio - Uma família inglesa - Júlio Dinis

Publicado, na primeira forma, enquanto episódios de um folhetim do Jornal do Porto, só mais tarde reunidos em volume, Uma Família Inglesa conta a história sentimental dos amores de Carlos Whitestone, da jovem Cecília e dos obstáculos que terão de superar para ficarem juntos. Tudo porque Carlos é o herdeiro de uma importante casa comercial britânica, sediada no Porto em meados do século XIX, e o alvo dos seus afetos, a filha do guarda-livros do pai.

4 de junho - O Bobo - Alexandre Herculano

Grande cultor da Idade Média, como autor romântico que foi, Alexandre Herculano recua, uma vez mais, aos tempos da formação da nacionalidade portuguesa, e às lutas internas e familiares no seio do Condado Portucalense. Neste romance histórico assistimos ao confronto entre o jovem Afonso Henriques e o Conde de Trava, amante da condessa D. Teresa, mas o protagonista acaba por ser Dom Bibas, dito O Bobo, secreta testemunha de paixões e intrigas várias.

11 de junho - Serões da província - Júlio Dinis

Publicado pela primeira vez em 1870, a obra Serões da Província é uma compilação de contos e curtas novelas que Júlio Dinis publicou no Jornal do Porto, entre 1862 e 1864. Os temas e motivos destes contos e novelas são essencialmente os mesmos que se encontram na obra romanesca do autor e que o definem. Por trágica ironia, Julio Dinis que morreria apenas com 31 anos, via o mundo sob os filtros da fraternidade, do otimismo, dos sentimentos sadios do amor e da esperança e isso reflete-se na sua obra escrita, cheia de finais felizes e de personagens essencialmente movidas pela bondade.

18 de junho - Poemas completos de Alberto Caeiro - Fernando Pessoa

Coletânea da poesia de Alberto Caeiro, um dos heterónimos de Fernando Pessoa tem prefácio de outro heterónimo, Ricardo Reis, e posfácio, de um outro, Álvaro de Campos. Dominado pelo bucolismo (por contraponto aos heterónimos mais urbanos e modernos), Caeiro tem na contemplação da Natureza o seu desígnio existencial, como se lê nestes versos de O Guardador de Rebanhos: "Eu não tenho filosofia: tenho sentidos.../Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é./Mas porque a amo, e amo-a por isso,/Porque quem ama nunca sabe o que ama/Nem por que ama, nem o que é amar..."

25 de junho - Auto da Índia - Gil Vicente

Representado pela primeira vez em 1506, perante a Rainha Dona Leonor, esta é uma das primeiras farsas de Gil Vicente e centra-se sobre alguns dos efeitos sociais dos Descobrimentos, nomeadamente o adultério. Constança, insatisfeita com seu marido e ao que tudo indica casada apenas por interesse, arranja dois amantes (um castelhano chamado Juan de Zamora e um português chamado Lemos) enquanto o marido anda embarcado. No final do auto, o marido retorna a casa e Constança, cheia de falsidade, recebe-o de braços abertos, esperando que este trouxesse não poucas riquezas da Índia. Mas nem tudo correrá conforme planeado a esta inconstante Constança.

2 de julho - Odes modernas - Antero de Quental

Publicada em 1865, esta é a obra em que Antero rompe com a temática sentimentalista que caracterizou a segunda geração romântica e impôs o romantismo social, marcado pelo fervor revolucionário, pela sede de justiça social e pela crença na apoteose futura da verdade. Influenciado pelo pensamento de autores como Proudhon ou Hegel escreverá numa das odes reunidas neste volume: "O Evangelho novo é a bíblia da Igualdade:/ Justiça, é esse o tema imenso do sermão:/ A missa nova, essa é missa de Liberdade:/ E órgão a acompanhar... a voz da Revolução!" ("No templo").

9 de julho - Tragédia da Rua das Flores - Eça de Queirós

Escrito por Eça de Queirós em Newcastle (Inglaterra), entre 1877 e 1878, esta obra permaneceu mais de cem anos entre os manuscritos inéditos do autor, sendo publicada postumamente em 1980, altura em que deixou de estar na posse dos herdeiros e entrou no domínio público. Eça volta ao tema do incesto, desta vez entre Genoveva, "uma beleza tão atraente e desejável - um esplendor igual ao da sua pele branca e quente", protótipo da cortesã oitocentista com mundo mas também com tragédia, e Vítor, bacharel em Direito, que não era senão o filho que ela abandonara bebé. É um dos livros de Eça mais adaptados à Televisão e ao Teatro.

16 de Julho - Pátria - Guerra Junqueiro

De todas as obras escritas pelo poeta Guerra Junqueiro, Pátria é sem dúvida aquela que maior impacto teve no seu tempo e a que, ainda hoje, decorrido mais de um século sobre a sua primeira publicação, em 1896, é a mais citada. Nascido da comoção e da crise do pós-Ultimatum inglês em 1890, este longo poema está imbuído de um patriotismo doloroso e catastrófico que pouco depois conduziria à queda do regime monárquico.

23 de julho - As ilhas desconhecidas - Raul Brandão

Em 1924 Raul Brandão fez uma viagem aos arquipélagos dos Açores e da Madeira integrado num grupo de intelectuais - entre eles, o açoriano Vitorino Nemésio - promovida por autonomistas. Dessa visita, das suas impressões e anotações, surgiu o livro As Ilhas Desconhecidas - Notas e Paisagens, em que não só descreve com particular fulgor a beleza natural das ilhas, como observa com atenção humanista as vidas difíceis de quem nelas vive.

30 de julho - O arco de Sant'Ana - Almeida Garrett

É um romance histórico em dois volumes de Garrett, publicados respetivamente em 1845 e 1850, baseado na história (ou lenda), segundo a qual o rei Dom Pedro I, com a crueza que se lhe conhecia, teria açoitado com as próprias mãos o bispo do Porto, no palácio episcopal. Como os leitores oitocentistas compreenderam e os críticos têm vindo a salientar, Garrett recriava no século XIV os conflitos políticos e religiosos próprios da sociedade da sua época, nomeadamente a reação cabralista, apoiada pela Igreja, que visava amenizar algumas liberdades conquistadas pelo liberalismo e restaurar o poder eclesiástico.

6 de agosto - Os pescadores - Raul Brandão

Os Pescadores é uma obra de Raul Brandão, publicada em 1923. Trata-se de um conjunto de crónicas que retratam a vida difícil dos pescadores portugueses, desde o Minho ao Algarve, detendo-se nalgumas comunidades piscatórias muito marcantes como Caminha, Póvoa de Varzim, Leixões, Nazaré, Peniche, Sesimbra e Olhão. Dotado de um assinalável poder de observação, o autor não se esquece sequer de utilizar as falas típicas e os dizeres pitorescos, aliados a descrições de grande beleza.

13 de agosto - O Mandarim - Eça de Queirós

Incursão, embora muito particular, de Eça no género fantástico, O Mandarim conta as desventuras de Teodoro, bacharel e amanuense do Ministério do Reino, após descobrir um livro misterioso sobre um mandarim com uma riqueza assinalável. Para herdar os seus milhões, bastaria tocar uma campainha, mas tal provocaria a morte do velho Ti Chin-Fu. Aliciado pelo Diabo, Teodoro cede à ganância, mas cedo compreenderá que haverá um preço a pagar..

20 de agosto - A queda de um anjo - Camilo Castelo Branco

A Queda dum Anjo é o título de um romance satírico, escrito em 1866. Calisto, fidalgo austero e conservador de Trás-os-Montes, parte para Lisboa, como deputado da Nação, e não tardará a deixar-se corromper pelo luxo e pela demanda de ociosos prazeres que imperam no meio político. Torna-se amante de uma prima distante, Ifigénia, nascida no Brasil, muda de partido sem grandes pruridos e lembra-se pouco da missão que lhe fora confiada.. Escritor ultra-romântico, mais conhecido por obras de grande carga dramática como Amor de Perdição ou Memórias do Cárcere, Camilo tem aqui uma feliz incursão na sátira social e política.

27 de agosto - Falar verdade a mentir - Almeida Garrett

Escrita por Almeida Garrett em 1845, a ação desta comédia desenrola-se na Lisboa da primeira metade do século XIX e põe em cena duas famílias, envoltas em jogos de amor e ambição, onde a mentira tropeça constantemente na verdade. O refinado sentido de humor deste poeta, dramaturgo e homem político abre, assim, caminho à reflexão crítica sobre a sociedade da época. Esta peça foi representada pela primeira vez em Lisboa, no Teatro Tália, pela sociedade particular do mesmo nome, em 7 de abril de 1845 e compõe-se apenas de um ato, com 17 cenas.

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