Músicos abandonam digressão de Ed Sheeran após afastamento do rapper Macklemore por gritar "Palestina Livre"
O rapper Macklemore disse na rede social Instagram ter sido retirado do concerto de abertura do cantor Ed Sheeran por ter gritado "Palestina Livre" no passado dia 4 de setembro, numa das datas na tour na América do Norte, no estádio Metlife em Nova Jérsia. Na sequência da publicação do rapper, os três outros artistas que iam participar nesta fase da tour -- FINNEAS, Lukas Graham e Aaron Rowe -- e a banda de acompanhamento Beoga anunciaram que não iam tocar nos concertos.
Na publicação, Macklemore disse que o seu "amigo" Ed Sheeran tinha ficado numa má posição com a tomada de posição do rapper. "A sua habitual postura apolítica estava a ser posta à prova como nunca antes. Ele disse-me que as palavras 'Palestina Livre' e a imagem da bandeira palestiniana eram ofensivas para muitas pessoas com quem tinha falado", contou Macklemore, lembrando uma conversa que teve com Ed Sheeran antes do concerto no Gilette Stadium, perto de Boston.
"Disse-lhe que, se aquelas palavras fossem mais ofensivas do que as dezenas de milhares de crianças palestinianas mortas por Israel, então havia uma discrepância fundamental entre a posição dessas pessoas e a minha. Mas ele não conseguiu ir além da sua postura pública: 'Não tomo partido'", relatou ainda.
Em resposta, Ed Sheeran diz que a decisão de retirar Macklemore foi "do promotor" e não dele, dizendo que não é "cúmplice" do "conflito entre Israel e a Palestina".
"Tenho as minhas opiniões pessoais sobre este conflito devastador. Só porque opto por não me pronunciar publicamente, isso não significa que não as tenha, nem que não me importe. Nem significa que não apoie causas à minha maneira, de forma pessoal", escreveu, sublinhando que respeita a "determinação do Macklemore em levantar-se e defender aquilo em que acredita"
"Há uma razão pela qual não utilizo a minha plataforma profissional para fins políticos – o meu público inclui jovens, muitas vezes crianças, de todas as origens. Quem vai aos meus espetáculos não espera um fórum político", acrescentou.
A conversa teve lugar após uma chamada com Robert Kraft, dono dos New England Patriots e do Gillette Stadium, diz Macklemore. Nessa chamada, Kraft terá dito a Sheeran que o rapper não podia tocar no seu estádio e que tinha falado com outros donos de estádios para proibir Macklemore de tocar no seu estádio.
O próprio Kraft confirmou que não quis que Macklemore tocasse no seu estádio, dizendo que não iriam "dar uma plataforma ao discurso de ódio" e que as ações de Macklemore "foram profundamente ofensivas e lesivas para a comunidade judaica".
Ed Sheeran ficou sem bandas de abertura e sem banda de acompanhamento nos EUA
A saída de Macklemore não ficou sem reações das bandas que iriam acompanhar Sheeran noutros concertos. Finneas, cantor e irmão da também cantora Billie Eilish, defendeu que "os artistas não devem ser silenciados quando falam pelos oprimidos".
"Decidi desistir das próximas datas da minha digressão com o Ed Sheeran. Estou solidário com a Palestina e o seu povo", acrescentou.
Lukas Graham e Aaron Rowe, os outros dois artistas de abertura, decidiram no mesmo sentido, defendendo a posição de Macklemore de falar sobre a Palestina.
"Devemos poder falar sobre a guerra, sobre civis que são mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Seja qual for a bandeira que hasteia sobre elas", escreveu Graham no Instagram, acrescentando que "o dinheiro não dá o direito de ditar o tom da conversa".
Já Rowe disse que a sua origem, enquanto irlandês, tinha influenciado a sua decisão. "Como irlandeses, sabemos muito bem o que é o genocídio, a fome forçada e a ocupação violenta", escreveu no Instagram, dizendo que não podia ficar de parte e "permitir que os bilionários usem a sua posição de poder para silenciar as vozes legítimas daqueles que se manifestam contra o genocídio israelita".
"Preciso de ser fiel a mim mesmo e aos meus antepassados, que resistiram à colonização e lutaram pela liberdade de que hoje desfruto na Irlanda", acrescentou.
Por fim, o golpe mais duro é a saída dos Beoga, banda irlandesa que acompanha Sheeran durante parte do concerto, participando numa parte em que o cantor toca o êxito Galway Girl.
"Somos irlandeses que compreendem o colonialismo. Como membros fundadores do movimento Irish Artists For Palestine, somos ativistas empenhados na justiça e continuaremos a sê-lo", sublinhou a banda no Instagram.

