Jornalista, escritor e investigador dedicado, sobretudo, ao Estado Novo, Orlando Raimundo morreu esta terça-feira, 20 de janeiro, morreu naos 77 anos.A sua vida profissional ficou intimamente ligada à imprensa portuguesa do pós-25 de Abril. Integrou a geração de repórteres da Revolução e esteve no terreno a cobrir os acontecimentos de Abril de 1974 para O Século. Trabalhou depois no Diário Popular e no Expresso, jornal onde permaneceu cerca de vinte anos.Paralelamente ao jornalismo, desenvolveu um trabalho de investigação e ensaio sobre o Estado Novo e as suas figuras centrais, do qual resultaram os livros António Ferro – O Inventor do Salazarismo, O Último Salazarista – A Outra Face de Américo Thomaz e A Última Dama do Estado Novo e Outras Histórias do Marcelismo, obra de referência sobre os anos finais da ditadura.Publicou ainda títulos fundamentais para o estudo da profissão de jornalismo, como A Linguagem dos Jornalistas e A Entrevista no Jornalismo Contemporâneo.Licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais, estudou jornalismo em Paris e Tóquio, pós-graduou-se no ISCTE e foi assessor editorial do Instituto Politécnico de Lisboa. Teve também uma dimensão internacional no seu percurso, ao ajudar a lançar o primeiro jornal da Guiné-Bissau livre e independente. Em Portugal, foi um dos fundadores do Cenjor, onde se destacou como formador de várias gerações de jornalistas.A editora Dom Quixote lamentou o desaparecimento do autor, sublinhando o seu contributo como investigador do Estado Novo e recordando a trilogia publicada sobre o período.