Morreu o escultor Francisco Simões. Entrelaçava "tradição e modernidade de forma harmoniosa", diz Marcelo

Morreu o escultor Francisco Simões. Entrelaçava "tradição e modernidade de forma harmoniosa", diz Marcelo

O escultor, nascido em 1946, possui obra relevante no concelho de Oeiras, nomeadamente no Parque dos Poetas, e nas estações do Campo Pequeno e do Rato do Metro de Lisboa.
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Morreu esta sexta-feira (16 de janeiro) o escultor, pintor, gravador e ilustrador Francisco Simões, vítima de doença prolongada.

A morte foi confirmada pelo secretário regional da Economia da Madeira, José Manuel Rodrigues, através de uma nota de pesar nas suas redes sociais. "O Francisco Simões partiu sem dizer um adeus. Coisa dele, a de chegar, fazer a festa e partir, sem grandes despedidas. Ficou por realizar aquele prometido jantar que iria selar, mais uma vez, uma Amizade de décadas. Militávamos em campos políticos opostos, mas não é que tantas vezes tínhamos posições comuns sobre os mais diversos assuntos", afirmou o governante a propósito do artista, que nasceu em 1946 em Almada e viveu vários anos na Madeira.

Também o Presidente da República manifestou consternação pela morte do autor de uma obra de "excecional valor artístico, humano e patrimonial, em que tradição e modernidade se entrelaçam de forma harmoniosa."

Marcelo Rebelo de Sousa salienta que Francisco Simões projetou a arte portuguesa em diversos países, em importantes espaços públicos, em coleções institucionais e privadas, sem "nunca deixar de defender o acesso democrático à arte e a cultura como direito universal."

O artista concluiu o curso da Escola de Artes Decorativas António Arroio em 1965, foi bolseiro da OCDE em Roma, Turim, Novara, Verona e Milão em 1967, trabalhou no Museu do Louvre em 1968 e concluiu o curso de Escultura da Academia de Música e Belas Artes da Madeira e 1974. Foi ainda consultor do Ministério da Educação para o projeto "A Cultura Começa na Escola", em 1989, e membro do grupo de trabalho criado pelo mesmo ministério para a Humanização e Valorização Estética dos Espaços Educativos.

Ilustração de Francisco Simões para o DN
Ilustração de Francisco Simões para o DN

Francisco Simões, considerado um dos maiores artistas portugueses de todos os tempos, morreu precisamente no dia em que a Câmara Municipal de Oeiras anunciou que o vai homenagear com a atribuição do seu nome a uma avenida do concelho. “A Avenida Francisco Simões - Escultor" será atribuída a um arruamento no Oeiras Golf, em Barcarena, imortalizando o escultor, pintor, gravador e ilustrador Francisco Simões e o seu extraordinário legado cultural, pedagógico e cívico”, justifica a autarquia, em comunicado.

O escultor possui obra relevante no concelho de Oeiras, nomeadamente no Parque dos Poetas, onde criou esculturas representativas de grandes poetas da língua portuguesa. Também criou o grupo de dez esculturas e painéis em mármore "Mulheres de Lisboa" na estação do Campo Pequeno e os bustos de Vieira da Silva e Arpad Szenes na estação do Rato do Metro de Lisboa.

Na vida política, Francisco Simões esteve ligado ao Partido Comunista Português.

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