Morreu artista Peter Max, criador do logo MTV e da capa do álbum "Yellow Submarine"
O artista norte-americano de origem alemã Peter Max, pioneiro da arte psicadélica, criador da capa do álbum "Yellow Submarine", dos Beatles, e do primeiro logótipo da MTV, morreu na segunda-feira, aos 88 anos, anunciou esta quinta-feira, 17 de setembro, a família.
Num comunicado enviado à estação norte-americana de televisão ABC, o filho de Peter Max, Adam Max, anunciou a morte do pai, desafiando o público a lembrar "a sua extraordinária criatividade, o seu calor humano, a sua curiosidade e a sua forma de ver a beleza e as possibilidades em todo o lado".
No comunicado, citado pela Agência France Presse (AFP), Adam Max afirma ainda que a obra de Peter se tornou "parte integrante da cultura americana": "Mas é o homem por detrás dela — o pai que conhecemos e amamos — que mais nos fará falta".
Peter Max foi o criador da capa do álbum "Yellow Submarine", dos Beatles, do logótipo original da MTV, pintou a Estátua da Liberdade, retratou presidentes dos Estados Unidos, fixou a imagem de Taylor Swift na fase inicial da sua carreira e afirmou-se como "figura de proa da arte psicadélica", escreveu a AFP.
Peter Max Finkelstein nasceu em Berlim, em 1937, e abandonou o país, com a sua família judia, escapando à perseguição nazi. Inicialmente refugiado na China, no pós-guerra mudou-se, sucessivamente, para Israel, França e, por fim, para os Estados Unidos, fixando-se em Nova Iorque em 1953, aos 16 anos.
Formado pela School of Visual Arts e pelo Pratt Institute, Peter Max iniciou a carreira como designer gráfico e abriu o seu próprio estúdio de design.
"Vejo tudo com olhos arco-íris", disse Peter Max numa antiga entrevista à ABC, hoje recordada pela estação de televisão.
Nos anos 1960, afirmou-se na arte contemporânea pelas composições de cores vivas, inspiradas no psicadelismo, por vezes com alusão à banda desenhada e ao cartoon, difundidas através de uma vasta gama de materiais e suportes, de cartazes e colagens, a litografias e serigrafias.
Nas décadas seguintes, intensificou o trabalho na área gráfica, com a criação do primeiro logótipo da estação musical MTV, em 1981, e como "artista oficial" do Campeonato do Mundo de Futebol de 1994, realizado nos Estados Unidos.
A sua obra inclui representações diversas da Estátua da Liberdade, retratos de músicos como Jimi Hendrix e os quatro Beatles, e de presidentes norte-americanos, de John Kennedy a Barack Obama, passando por Ronald Reagan e Bill Clinton.
Na década de 1970, a pedido das autoridades norte-americanas, pintou murais de boas-vindas ("Welcome to America") nas fronteiras terrestres dos Estados Unidos com o Canadá e o México.
Entre as suas derradeiras obras conta-se o retrato de Taylor Swift, feito nos primeiros anos da carreira da cantora.
Peter Max destacou-se igualmente por ter explorado o potencial comercial da sua obra, aplicando-a na fuselagem de aviões, na proa de um navio de cruzeiro, em cortinas de casa de banho e em relógios concebidos por encomenda para a General Electric.
No final dos anos 1990, Peter Max teve problemas com as autoridades fiscais dos EUA, por não ter declarado mais de 700 mil dólares (cerca de 600 mil euros) em rendimentos provenientes da venda das suas obras.
O artista declarou-se culpado e foi condenado a dois meses de prisão, ao pagamento de uma multa de 30 mil dólares e a 800 horas de serviços comunitários – que utilizou a ensinar arte em escolas do bairro nova-iorquino do Harlem.
Em 1973, a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, inclui Peter Max na exposição "Palavra e Imagem. Cartazes da Colecção do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque”, a par de outros artistas, como Pablo Picasso, Georges Braque, Jean Dubuffet, Joan Miró e Frank Stella.
Muitas das obras de Peter Max estão disponíveis no seu 'site' oficial, petermax.com, que abre com um imenso e multicolorido "Max".

