Marcelino Sambé é um dos coreógrafos de Desassossego, o espetáculo composto por duas peças com que a Companhia Nacional de Bailado (CNB) dará início à temporada 2026/2027, no dia 22 de outubro, no Teatro Camões, em Lisboa. Daniel Cardoso assina a outra coreografia baseada no Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa. Foi uma ideia do diretor artístico da CNB, Fernando Duarte, para quem o bailado narrativo é uma aposta, e que no ano passado criou o bailado Os Maias a partir da obra de Eça de Queirós. Marcelino Sambé, filho de pai guineense e mãe portuguesa, formou-se na Escola Artística de Dança do Conservatório Nacional, em Lisboa. Em 2010 foi finalista do prestigiado Prix de Lausanne, não venceu, mas a sua prestação deu nas vistas e valeu-lhe uma bolsa para estudar na Royal Ballet Upper School, em Londres, para onde foi viver aos 16 anos. Em 2012 integrou o Royal Ballet e foi sendo promovido ao longo dos anos até chegar a primeiro bailarino da companhia, em 2019. Ser bailarino é a prioridade de Marcelino Sambé – vai abrir a temporada do Royal Ballet, em Londres, no dia 13 de outubro, com Manon, de Kenneth MacMillan, interpretando Des Grieux –, mas coreografar também está nos seus planos.A viver em Londres desde os 16 anos, Marcelino Sambé falou com o DN sobre a sua coreografia para a CNB, em Lisboa, antes de um ensaio da peça, que é protagonizada pelos bailarinos Inês Ferrer, Lourenço Ferreira e Raquel Fidalgo.Não é a primeira vez que o Marcelino coreografa...Já fiz algumas coreografias em Londres, com colegas meus. Eu comecei a coreografar com 15, 16 anos, já na Royal Ballet School. Fiz uma peça para a escola. E essa peça, M’ cã cré sabi, foi depois levada para o Canadá, para outra escola. Portanto, começou assim, muito devagarinho, quando era jovem. E foi muito impactante começar a entrar nesse espaço tão jovem, porque sempre tive interesse.E mais recentemente, quando é que começou a pensar mais seriamente em coreografar?Nós temos um projeto em Londres chamado Draft Works, no Royal Ballet, e eu já fiz seis Draft Works. E trabalhei depois com a New English Ballet Theatre, que é uma companhia pequena em Londres. E essa foi uma experiência que me marcou bastante, porque apercebi-me de quão difícil seria estar a dançar ao nível de bailarino principal e ter que fazer a parte coreográfica. É uma dificuldade enorme, porque quando és bailarino, dás 100% à tua arte e há muito pouco espaço para qualquer outra coisa. Portanto, tem de haver um esforço dedicado e programado com a direção para eu conseguir desenvolver esses passos. E este Desassossego foi essa oportunidade de me sentar com o diretor do Royal Ballet e dizer: isto é um passo que eu quero dar. E ele deu-me um espaço livre para estar aqui, em setembro, e depois voltar em outubro para a estreia da peça.Como é que surgiu o convite para fazer o Desassossego?O Fernando Duarte [diretor artístico da CNB] está sempre com novas ideias e ele marcou um meeting comigo e disse-me: o que achas do Livro do Desassossego? E eu disse-lhe que tinha muito pouca noção do livro, porque quando li era muito jovem e acho que li umas cinco páginas e pensei que não era para mim. E ele disse: ‘Tenta revê-lo, vê o que achas’. Depois eu, devagarinho, fui começando a perceber um pouco mais do Bernardo Soares, de quem ele é, da psique dele. E achei que era uma abstração, feita de fragmentos de pensamento e um ótimo tema para fazer algo abstrato e muito pessoal, uma reflexão minha do livro. E disse-lhe ‘vamos a isso, vamos fazer’.A peça centra-se numa parte do livro? Qual foi a abordagem à obra? Vou saltando, estudei diferentes segmentos do livro que me interessavam, que captavam a ideia de quem o Bernardo Soares é, quem ele pensa que é e como ele reflete o mundo, a curiosidade dele. E eu revi-me imenso no livro, vi a minha parte existencial e a forma como eu olho para o mundo e como observo as coisas. Foi esse o caminho que segui, imaginando-me dentro da cabeça de Bernardo Soares e tentando compreender esse universo em que ele reflete constantemente os outros em si próprio. A partir daí, comecei a imaginar espelhos e um espaço escuro, quase como uma representação do seu subconsciente. . E que emoções estão neste bailado?Angústia, curiosidade, longing, uma nostalgia enorme. E depois achei interessante que o Fernando Pessoa descrevesse o Bernardo Soares como o heterónimo mais próximo da personalidade dele, quase como uma comparação direta de quem eles eram. Olhas para o Fernando Pessoa e ele tem uma aparência muito própria, muito delicada, muito elegante, e ele descreve o Bernardo Soares como débil, corcunda quase. E isso interessou-me imenso, porque acho que reflete o que o Fernando Pessoa estava a sentir subconscientemente. Então comecei a pensar que o Fernando Pessoa é uma parte muito importante deste ballet também, porque tem muito a ver com a viagem dele próprio e do amor que nunca foi consumado com a Ofélia Queiroz. Todas essas partes dele estão um pouco incompletas. Portanto, há uma mistura entre ele, Bernardo Soares e todos os heterónimos, e também o que o Bernardo Soares viu em Lisboa naquela altura. . De quem é a música e qual é o estilo da peça?A primeira coisa que me veio à cabeça quando comecei a pensar em Desassossego foi um ritmo contínuo que inferniza um pouco. Porque eu vi esta peça com três momentos. Começamos no maior desassossego, na parte mais complicada do pensamento de Bernardo Soares. Depois vamos para a resolução, onde ele fica num limbo, e depois um encontro com a verdade, no final. Na última página do livro, na edição que eu li, ele fala de um velho débil que estava sempre no barbeiro, num canto, quase como uma coluna da vida dele. Sempre que ele ia ao barbeiro estava lá aquele velho e houve um dia em que ele apareceu no barbeiro e perguntou ao rapaz onde é que está o velho? E ele, o rapaz jovem, disse: morreu ontem. E isso causou ao Bernardo Soares uma dor enorme, porque começou a pensar, ‘eu talvez seja esta coluna para outras pessoas e quando eu desaparecer vou deixar este vazio’. E achei esta ideia tão nostálgica, mas tão bonita, tão existencial. E é mais ou menos desta forma que eu queria acabar o ballet.E em termos de movimentos?Na primeira parte, quando eu penso em inquietude, em desassossego, penso em movimentos que estão muito ligados à terra, aquela coisa da competição, da ganância, de querermos conquistar, tudo isso são coisas muito deste mundo deste mundo físico, o chão, a terra. Pensei que o movimento tinha que ser mais ligado ao ritmo humano, mais forte, mais contemporâneo. Depois, quando chegamos ao limbo, começam a aparecer elementos neoclássicos, algo que nos eleva daquela dor toda para algo um pouco mais esperançoso. O limbo é quase como se estivéssemos fora do chão, estivéssemos elevados e a parte final é aquela que, para mim, é a menos humana, porque é mais na cabeça e eu queria utilizar mais a técnica clássica. Portanto, a peça passa por vários estilos. Há quem pense no clássico como o passado e o contemporâneo como o presente, e eu penso ao contrário. Acho que tem que acabar com algo menos humano, e eu acho que o ballet clássico tem um pouco esse elemento, as pontas...A última parte é a mais exigente?É mais virtuosa. Em todas as fases há virtuosismo. Mesmo em contemporâneo, o contemporâneo é super virtuoso, porque o corpo vai em todas as direções. É um pouco um estudo do virtuosismo. Quando eu comecei a pensar em quem é o Fernando Pessoa, uma das palavras que me veio logo à cabeça foi virtuosismo. Ele é um virtuoso da escrita, na forma como constrói as ideias e nos faz pensar. Então eu achei que o movimento tinha que ser bastante amplo e forte. . E a música?Comecei a pensar nesse virtuosismo e nessa parte metódica que o Fernando Pessoa também tinha, e em compositores, e fui ouvir Bach, porque Bach criou as passacaglias, e comecei a ver as opções. O Stokowski fez umas versões orquestradas, já tinha ouvido muitas vezes, e houve um clique que eu não pude ignorar. Então vou para Bach.Nas três partes?Não, o Bach é a primeira parte, portanto aquele ritmo infernal, e depois encontrei o Nuno Veiga. Ele trabalha com música, é um compositor, ele até tem feito imenso trabalho com dança em Londres. Conectámos e eu disse-lhe ‘como é que vamos desconstruir o Bach’? Esta é a nossa inspiração, como é que o distorcemos completamente e criamos novos mundos a partir deste mundo. E ele depois criou um score completo a partir dessa primeira ideia. A seguir vamos para uma zona onde há uma soundscape de Lisboa dos anos 1920, anos 1930, algo que nos faz lembrar o passado, e o final é uma composição original dele, que é quase uma modernização do Bach, um ritmo contínuo, que ascende em direção à luz.E quantos bailarinos participam?São cerca de dez bailarinos, e dois deles são pessoas que podemos reconhecer. Temos o Fernando Pessoa, sempre constante na peça, como o orquestrador de tudo o que está a acontecer, e o Bernardo Soares. Portanto, são dois personagens que se refletem muito um no outro, e todos os outros são cópias menos perfeitas do Bernardo Soares, são facetas que o Bernardo Soares mostra no livro. Temos a Raquel Fidalgo, que é incrível, ela tem movimentos da Ofélia Queiroz. Temos a Inês Ferrer, que é uma das bailarinas mais versáteis e interessantes, ela faz o Bernardo Soares. Temos o Lourenço Ferreira, que foi meu colega em Lisboa, no conservatório. E depois há vários outros nomes. Não há sexos na peça. Há pontas, mas a ponta é uma articulação que demonstra o lado mais frágil, mais esotérico, mais espiritual do Bernardo Soares.E como é dirigir bailarinos, mudar de papel? Eu vejo-me como um deles. Estamos numa colaboração completa. Eu gosto imenso de desafiar, mas tenho muito respeito pelo corpo, porque sei que o corpo é um instrumento frágil e que merece bastante respeito. E eu guio-me pela beleza deles. Este grupo é incrível.Em termos cenográficos, o que se pretendeu?Reflexão e inversão. Este ballet é quase uma inversão do meu pensamento, tudo o que eu penso está invertido, está ao contrário, portanto, há muitas coisas ao contrário. . Há alguma articulação entre a sua coreografia e a do Daniel Cardoso?Não. Nós pensámos, no início, que ia haver, mas o Daniel é um coreógrafo tão conceituado, com tanta experiência, e sendo a minha primeira vez, não queria empatá-lo. Porque para mim é um grande desafio e para o Daniel é mais uma peça fantástica que ele vai fazer. Acho que será interessante ver duas cabeças a trabalhar: eu no início da minha carreira como coreógrafo e o Daniel já um veterano com peças incríveis. Como é que as duas cabeças pensam o mesmo tema? Para o público é mais interessante.Já afirmou que criar movimentos inéditos não é o mais importante...Há uma coisa que me deixa um pouco triste no panorama da dança, tanto no mundo como em Portugal. Eu adoro a nova dança. Acho fascinante a forma como leva a expressão teatral ao limite, explora todas as possibilidades de movimento do corpo e promove a inclusão de todos na dança. Isso parece-me fundamental e é algo de que gosto muito. Mas para mim é importante a componente técnica e física do trabalho, comum a todos os bailarinos clássicos e, de resto, a qualquer bailarino que construa uma carreira. Aprecio imenso o esforço, o virtuosismo e a capacidade de levar o corpo a movimentos extremos que, graças a todo esse trabalho e rigor, consegue exprimir algo de profundamente emocional. E há coreógrafos que admiro que o fazem. É algo aspiracional para o público. Creio que é precisamente essa dimensão que nos eleva para um plano mais emocional, é difícil de explicar.Para si tem de haver uma ligação com o passado, com a história do ballet?Sim, de onde viemos e para onde vamos. Não quero abstrair-me do que é inicial. Quando comecei a coreografar queria imenso só coreografar com movimentos mais contemporâneos, e depois comecei a pensar que o que eu sei realmente, o que me fez artista, é o ballet clássico. Como é que eu consigo transformar esta técnica clássica em algo relevante e que conecta com o público? Não se trata de mostrar ou exibir a amplitude do movimento, nem a destreza com que o executamos. Trata-se de encontrar, nesse movimento clássico, uma dimensão humana, capaz de estabelecer uma ligação com alguém que nunca viu ballet.Também já disse que gosta mais de bailados narrativos do que abstratos...Como performer, como bailarino, quando entro em palco para contar uma história sinto que consigo comunicar muito melhor do que se entrar apenas para fazer um grande ‘tcharam’, um espetáculo de puro virtuosismo. Para mim, isso é muito mais difícil, porque não é o que me realiza enquanto artista. Gosto de construir uma personagem, de a estudar, de ter aulas de acting para encontrar a dor, a alegria extrema e todas essas emoções que depois levo para o palco. Como coreógrafo, também sinto que, quando parto de um tema e vejo a história crescer à minha frente, tudo se torna mais gratificante. Pelo menos comigo acontece assim. Já quando estou a criar algo mais abstrato, o gamble, o risco, é maior, porque nunca sabemos ao certo onde esse processo nos vai levar nem qual será o resultado final.Nessa ligação com o público?Sim. O Desassossego é uma abstração, um universo profundamente íntimo, e isso foi algo que não estava à espera de encontrar. Nestas últimas semanas de trabalho dediquei-me sobretudo à dimensão física da peça, no movimento e na estrutura. Ao longo deste verão, vou concentrar-me em perceber como é que o Bernardo Soares se encaixa neste mundo, quase como se fosse conduzido e manipulado por ele. Essa será, para mim, a parte mais interessante, mais dramática, com maior dramaturgia do que o que foi feito até agora.Há em Desassossego uma narrativa dentro da abstração?Sim, e temos a voz do José Neves, que é um ator incrível. Ele narra, criou quase uma voz do Fernando Pessoa e uma voz do Bernardo Soares. E há bastante discussão entre os dois. Há uma voz que vai aparecendo como se fosse o subconsciente do Bernardo Soares, que nos leva um pouco nessa viagem. . Fez recentemente o Mayerling, que é um bailado muito exigente. É chegar ao topo para um bailarino masculino? Qual é o próximo nível?O Mayerling, sendo o bailarino principal do Royal, é o ballet que qualquer bailarino masculino quer fazer, porque tem todas as facetas. A faceta virtuosa, mas também a faceta emocional. É um papel cheio de camadas. Quanto ao próximo nível, eu diria que só um ballet criado para mim. Já tive essa oportunidade com Like Water for Chocolate [Como Água para Chocolate de Christopher Wheeldon, inspirado no romance de Laura Esquivel]. Fazer parte de uma criação é extremamente gratificante. É, de certa forma, o ponto mais alto de uma carreira, porque fica para a história. Depois, esses bailados viajam pelo mundo e deixamos um pouco de nós em cada bailarino que, no futuro, interpreta essa coreografia. Ainda assim, há muitos bailados cuja criação gostava de integrar. Um deles é Otelo. Nunca fiz Otelo e acho que seria fantástico que alguém criasse esse bailado para mim.Vai ser difícil conciliar este trabalho de coreografia com a nova temporada no Royal Ballet?Eu abro a temporada, faço o Manon. Também é um dos meus ballets favoritos, do Kenneth MacMillan. E é um grande desafio para mim, é esticar o meu talento ao máximo, porque é um ballet muito de linhas e ele é muito romântico, muito vulnerável. Então eu tenho que fazer um trabalho de desconstrução da minha parte física forte. Tenho que estar um pouco mais frágil. E, ao mesmo tempo, estou aqui no estúdio. Vou e venho, vai ser um pouco difícil de conciliar, mas a carreira é feita deste push and pull.Como vê a sua carreira nos próximos anos? Um bailarino consegue manter-se nesse nível até que idade? É muito subjetivo. Tudo depende da condição física, das lesões e também da componente mental, da forma como lidamos com a pressão. Não sei. Sem dúvida que estou a fazer muitos planos para o futuro, mas, para já, continuar a dançar é a minha principal prioridade. Tudo o resto é um maravilhoso complemento, seja estar aqui a coreografar, seja, no futuro, fazer uma peça de teatro ou um filme. Gosta muito de representação? Gosto muito, muito, muito. Tenho estudado silenciosamente por trás de portas fechadas, à espera que apareça a oportunidade perfeita. . Poderá regressar um dia a Portugal?Londres já representa metade da minha vida. Vivi metade da minha vida em Portugal e a outra metade lá. E Londres, para mim, é um país. Quando saio um pouco de Londres, parece que não é o país que eu habito. No Royal Ballet temos que matar um leão por dia. Há ambição, tens de ter força, temos de estar sempre driving through. Quando acabar a minha carreira, eu acho que quero uma renovação de espaço e de ideias. E eu vejo muito isso aqui em Portugal. Saber que estou a criar uma plataforma que, mais tarde, possa facilitar essa transição para um país tão bonito, cheio de luz e tão acolhedor, é algo que me entusiasma muito e que encaro com grande expectativa.Londres é um dos grandes centros culturais do mundo, nomeadamente na área do bailado. O que é preciso fazer em Portugal para que o ballet possa crescer?Estiva a falar com uma professora minha do Conservatório Nacional de Dança - eu andei no conservatório - e uma coisa que ela me disse, que me chocou, é que o material na escola de música é comparticipado pelo Estado, porque é material escolar, instrumentos, pautas, etc. As pontas, que são uma das coisas mais importantes do ballet clássico, não são comparticipadas pelo Estado. Portanto, só isso afeta o desenvolvimento do ballet em Portugal, do ballet clássico, porque uma rapariga que vem de uma família com pouco dinheiro, como é que vai conseguir comprar pontas? As pontas são caríssimas, e ela acabará por iniciar com as mesmas pontas durante um ano, não desenvolve força nos pés, acabará por não conseguir seguir a dança, porque não teve o treino correto para o fazer. Como é que o Estado não considera isto material escolar? Estas micro coisas acabam por ser muito importantes. E depois dizemos que há menos cultura aqui do que em Londres, mas há uma falta de investimento nestes pequenos andaimes que criam a sociedade cultural, e esse é só um pequeno exemplo. É disso que temos que começar a falar, e tentar perceber porque é que há essa falta de investimento, de se pensar que isto é algo extra que se faz. Não, a dança faz parte das tribos humanas desde o início, nós comunicávamos e criámos sociedades à volta da dança, à volta da fogueira, à volta do ritmo, como é que nós como sociedade perdemos a sensibilidade para isso?Vê-se no futuro a contribuir para reforçar o ballet em Portugal?Sim, sem dúvida, acho que é a minha missão, e espero conseguir fazê-lo. .‘Os Maias’: abordagem contemporânea ao bailado narrativo para cativar público .Nova temporada da CNB arranca com 'Desassossego' e inclui peça que celebra 50 anos da companhia de bailado