Julio Iglesias durante um concerto em 2010
Julio Iglesias durante um concerto em 2010EPA

Julio Iglesias acusado de abuso sexual por ex-funcionárias. Reações políticas dividem-se em Espanha

Duas mulheres acusam o popular cantor espanhol de agressões sexuais, assédio continuado, humilhações e controlo psicológico quando trabalhavam como internas nas mansões do artista no Caribe.
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Considerado um dos principais ícones da cultura popular espanhola, o cantor Julio Iglesias é acusado de abuso sexual e abuso de poder por duas ex-funcionárias, num caso tornado público esta terça-feira, 13 de janeiro. A revelação está a provocar ondas de choque em Espanha, não apenas no plano mediático e judicial, mas também no debate político, onde as reações se dividiram de forma clara entre diferentes espectros partidários.

As denúncias foram reveladas numa investigação conjunta do jornal elDiario.es e da Univision Noticias, que ouviram 15 antigas funcionárias do cantor espanhol ao longo de três anos. Duas das mulheres, uma empregada doméstica e uma fisioterapeuta, acusam Julio Iglesias de agressões sexuais, assédio continuado, humilhações e controlo psicológico quando trabalhavam como internas, em 2021, nas mansões do artista na República Dominicana e nas Bahamas. A mais nova tinha então 22 anos.

Segundo os testemunhos citados, as mulheres descrevem toques não consentidos, coerção sexual, insultos e um ambiente de trabalho marcado pelo medo e pela dependência. Uma das ex-empregadas relata ter sido pressionada a manter relações sexuais com o cantor, descrevendo penetrações, bofetadas e abusos verbais. Ambas afirmam que trabalhavam cerca de dez horas por dia e que, sob o pretexto da pandemia de COVID-19, lhes era restringida a saída das propriedades.

 “Ele usava-me quase todas as noites”, denuncia Rebeca (nome fictício), citada pela investigação do elDiario.es e da Univision Noticias. “Eu sentia-me como um objeto, como uma escrava”, acrescenta. Esses encontros sexuais quase sempre ocorriam com a presença e participação de outra funcionária que ocupava uma posição hierárquica superior.

Outra mulher entrevistada, Laura (também nome fictício), afirma que Julio Iglesias a beijou na boca e tocou nos seus seios contra a sua vontade. "Estávamos na praia e ele aproximou-se e tocou nos meus mamilos", relembra a ex-funcionária, que relata que um incidente semelhante também ocorreu na piscina da casa do cantor em Punta Cana, um resort de luxo na República Dominicana.

A denúncia contra o cantor, atualmente com 82 anos, foi formalmente apresentada no passado dia 5 de janeiro pela organização Women’s Link Worldwide junto da Fiscalía da Audiência Nacional espanhola, que já confirmou a abertura de diligências.

Reações políticas dividem-se

No plano político, as reações não tardaram. A ministra da Igualdade, Ana Redondo, defendeu que as acusações devem ser investigadas “até ao fim”, sublinhando que “quando não há consentimento, há agressão” e alertando para a ligação frequente entre violência sexual e abuso de poder.

Também a vice-presidente do Governo e líder da plataforma Sumar, Yolanda Díaz, classificou os relatos como “arrepiantes” e agradeceu “às mulheres valentes que romperam o silêncio”.

Escalofriantes testimonios de las extrabajadoras de Julio Iglesias. Abusos sexuales y una situación de esclavitud con una estructura de poder basada en la agresión permanente. Gracias a las mujeres valientes y a las periodistas de @eldiario.es por denunciarlo. www.eldiario.es/cultura/extr...

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— Yolanda Díaz (@yolandadiaz.bsky.social) 13 de janeiro de 2026 às 11:27

Posições semelhantes foram assumidas por dirigentes do Podemos, do PSOE e do Más Madrid, que foram mais longe ao exigir que a Comunidade de Madrid retire a Medalha de Ouro atribuída a Julio Iglesias..

Do lado oposto, a presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, saiu em defesa do cantor. Numa publicação nas redes sociais, rejeitou as acusações e acusou a “ultraesquerda” de promover uma campanha de desprestígio, afirmando que a região não contribuirá para manchar a reputação “do cantor mais universal de Espanha”.

Entretanto, os efeitos começam também a sentir-se no plano cultural. A editora Libros del Asteroide anunciou que irá publicar uma edição revista da biografia El español que enamoró al mundo, de Ignacio Peyró, reconhecendo que o livro foi escrito antes de qualquer acusação pública.

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