Novo diretor-geral das Artes tem ordem para "simplificar processos"

Américo Rodrigues, que foi diretor do Teatro Municipal da Guarda, vai dirigir o organismo do Ministério da Cultura

O programador cultural Américo Rodrigues, nomeado diretor-geral das Artes, afirmou à agência Lusa que tentará dar um contributo para melhorar a dinâmica do organismo, porque conhece a complexidade do setor: "É um desafio porque a Direção-Geral das Artes (DGArtes) tem uma imagem má neste momento. Sou uma pessoa do terreno, tenho uma ligação ao trabalho artístico, estou atento à complexidade e fragilidade do setor", diz.

Sem querer adiantar detalhes sobre o trabalho que terá pela frente, com a aplicação de um reformulado modelo de apoio financeiro às artes, Américo Rodrigues disse que recebeu orientações da ministra da Cultura para "simplificar processos".

"O que define o meu perfil é que sou da prática, venho do território, porque fui programador, criador, porque vivi no país real e sei da importância que tem o trabalho artístico de qualidade e que há coisas que têm de ser transformadas", afirmou.

Américo Rodrigues sublinhou que, enquanto programador e autor, nunca concorreu a um concurso de apoio da DGArtes e que integrou júris de seleção do organismo.

Um nome fundamental na Guarda

Américo Rodrigues, que vive na Guarda, entrará em funções na próxima quarta-feira, em Lisboa, em regime de substituição, até que seja aberto concurso oficial para o cargo. Américo Rodrigues, que nasceu na Guarda em 1961, foi diretor do Teatro Municipal da Guarda (2005-2013) e coordenador da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (2005-2018) naquele concelho.

Licenciado em Língua e Cultura Portuguesas pela Universidade da Beira Interior e Mestre em Ciências da Fala pela Universidade de Aveiro, Américo Rodrigues é poeta, ator, encenador, 'performer' na área da poesia sonora e programador cultural. No início da carreira, foi animador e programador cultural na Casa de Cultura da Juventude da Guarda/FAOJ (1979-1989) e na Câmara Municipal da Guarda (1989-2005).

Além disso, é um dos fundadores do coletivo Aquilo Teatro, da Associação Luzlinar e da Associação Cultural/Teatro do CalaFrio. No campo das letras, coordenou os cadernos de poesia Aquilo (1982- 1997) e foi codiretor da revista Boca de Incêndio (2004-2006), entre outras publicações. Em 2011, foi distinguido com a Medalha de Mérito Cultural, pelo contributo para o desenvolvimento cultural da região da Guarda.

Concursos e confusões na DG-Artes

O Ministério da Cultura anunciou esta sexta-feira que Américo Rodrigues foi nomeado diretor-geral das Artes em substituição de Sílvia Belo Câmara.

O anúncio surgiu cerca de duas semanas depois de o Ministério da Cultura ter anunciado, e poucas horas depois anulado, a nomeação de Susana Graça como nova diretora-geral das Artes.

O concurso público para o cargo de diretor-geral das Artes foi aberto a 31 de agosto do ano passado e encerrado a 14 de setembro, de acordo com dados disponíveis no 'site' da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (Cresap). De acordo com a ministra da Cultura, Graça Fonseca, uma das três pessoas propostas pelo júri era a atual diretora-geral, Sílvia Belo Câmara, que manifestou não querer continuar.

Por isso, "não estando reunidas as condições, ou seja [não havendo possibilidade de] o membro do Governo poder escolher, uma entre três" finalistas indicados pela Cresap, foi decidido que "o procedimento não devia subsistir". "Neste sentido, anula-se o concurso, que é o que diz lei", disse, então, a ministra da Cultura. Um novo concurso para diretor-geral das Artes deverá assim ser aberto pela Cresap, o terceiro desde 2016.

A Direção-Geral das Artes é o organismo do Ministério da Cultura responsável pela realização dos concursos de apoio público às artes e das representações oficiais de Portugal em certames artísticos internacionais como a Bienal de Veneza ou a Quadrienal de Praga.

De acordo com o Ministério da Cultura, a versão definitiva do modelo de apoio às artes será publicada este mês e as estruturas artísticas deverão ter resultados dos concursos antes do verão de 2019. O modelo de apoio às artes foi reformulado no ano passado acolhendo as sugestões de alteração propostas por um grupo de trabalho com representantes dos agentes culturais.

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