Morreu Cohén Fusé, o argentino que pintou o Oriente e fez do Estoril a sua casa

O pintor tinha 74 anos e vivia há mais de três décadas em Portugal.

O pintor argentino Luis Cohen Fusé, que fez do Estoril a sua casa no início dos anos 1980, morreu no dia 4 de julho, aos 74 anos, informou a família.

"Trabalharei até ao fim dos meus dias. Que o meu último suspiro seja com um pincel na mão", disse numa entrevista ao DN, em 2016. Cohen Fusé estava a trabalhar para a sua próxima exposição, na Galeria do Casino de Estoril, no mês de outubro. Apesar de vários problemas de saúde, morreu enquanto dormia sem que nada fizesse antever tal desfecho.

Nascido em Buenos Aires a 20 de agosto de 1944, Cohen Fusé tirou o curso de Arquitetura na capital argentina, antes de se mudar para Espanha, onde conheceu a mulher Rosario e nasceu o filho, Alberto. Foi também em Espanha que resolveu dedicar-se de corpo e alma à pintura, uma paixão que vinha já dos tempos de criança.

O pintor chegou a Portugal em 1982, convidado para fazer uma exposição em Aveiro, e foi ficando. Acabaria por se mudar para Lisboa e o Estoril. "O sítio onde moro é idílico. Eu preciso de mar e este mar faz-me lembrar Mar del Plata", contou na entrevista em 2016, numa referência ao local onde passou a infância e juventude.

A inspiração de Cohen Fusé vinha do Oriente, onde nunca esteve mas onde muitos colecionadores têm obras suas. Nas suas telas, as mulheres de rosto ocidental vestem xailes ou quimonos orientais floridos.

O pintor teve mais de 60 exposições individuais e coletivas desde 1963 na Argentina, EUA, Espanha ou Portugal -- onde a sua última grande exposição foi uma retrospetiva no Museu do Oriente, em 2015. Outras duas exposições que tiveram um significado especial para ele foram uma no Palácio da Ajuda, em 2003, e outra no Centro Cultural de Cascais, em 2012.

Cohen Fusé morreu no dia 4 de julho e o funeral foi no dia 9, no Estoril.

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