Filipe Carvalho traz um Emmy para Portugal. "Foi fantástico. Uma experiência única"

O motion designer admite que ainda está a digerir o que viveu na noite de sábado em Los Angeles. Afinal, foi um dos vencedores da 70.ª edição dos Emmy Awards pelo trabalho que fez para a série Counterpart. É uma sensação estranha, mas boa", diz ao DN.

"Desde que acordei, às sete da manhã, que tem sido uma loucura com os telefonemas", confessa Filipe Carvalho ao DN, a partir de um hotel em Los Angeles. Uma manhã agitada que tem um "culpado", o Emmy que o motion designer ganhou na noite de sábado nos EUA.

Na 70.ª edição dos Emmy Awards, considerados os Óscares da televisão, o nome do português, de 37 anos, figura na lista dos vencedores. Natural do Cartaxo e a viver em Lisboa há 15 anos, Filipe Carvalho vai trazer para Portugal um dos mais prestigiados prémios da indústria da televisão. Ganhou na categoria de Melhor Genérico com o trabalho que fez para Counterpart , do canal Starz.

"Foi fantástico. Uma experiência única. Não era esperado. Foi uma gritaria à minha volta", recorda Filipe Carvalho, que está ainda a processar o que aconteceu no palco do Microsoft Theater, na baixa de Los Angeles. "Ainda estou a digerir o facto de termos ganho um Emmy. É uma sensação estranha, mas boa", diz, entre risos, sobre a cerimónia de entrega dos prémios, aquela que cresceu a ver pela televisão, conta. "E agora estar em Los Angeles, pela primeira vez, ir aos Emmy Awards, ser nomeado e ganhar, fazer parte do universo, ter o reconhecimento e a aceitação dos meus pares, é estranho, mas é bom", repete.

É este o genérico da série norte-americana de ficção científica, protagonizada pelo oscarizado ator J.K. Simmons, que levou o português a receber um Emmy:

Depois da cerimónia, a celebração foi grande. "Foi uma festa de arromba. Eles sabem fazer as festas aqui em Los Angeles", ri-se. "É especial, diferente de tudo onde eu já estive. É muito giro fazer parte de uma coisa assim."

Festas que também servem para estabelecer contactos e projetar novos desafios profissionais. Foi o que lhe aconteceu. "Já houve conversas para alinhavar coisas para o futuro", admite.

A trabalhar há dez anos com os estúdios norte-americanos, Filipe Carvalho mantém-se em Portugal e faz os projetos remotamente. Ir à cerimónia de entrega dos prémios foi a oportunidade de conhecer as pessoas com quem trabalha há anos.

Um prémio "especial", tendo em conta todo o trabalho do motion designer português. "Fez valer o esforço todo que houve até chegar aqui. Especialmente difícil fazê-lo e especialmente gratificante", considera numa alusão ao Emmy, que partilha com a mulher, Patrícia Adegas, que o tem acompanhado neste percurso.

Provavelmente já viu o resultado do trabalho de Filipe Carvalho nos genéricos de filmes como Thor: o Mundo das Trevas, O Fantástico Homem-Aranha2 e as séries Guerra dos Tronos e Cosmos - A Spacetime Odyssey.

Mas foi a série Counterpart, do estúdio Imaginary Forces, que o levou à noite dos Emmy Awards, a primeira referente à entrega dos prémios técnicos e criativos - neste domingo acontece a segunda noite dos Creative Arts Awards -, que antecede a cerimónia que vai ser transmitida pela NBC, no próximo dia 17.

"A minha parte do projeto - somos seis e cada um tem um Emmy - foi ter a ideia e o conceito original para o genérico em conjunto com a realizadora, a Karin Fong, a diretora criativa dos estúdios Imaginary Forces. Desenvolvi depois a ideia visualmente através de imagens estáticas e os meus colegas que são designers, animadores... executaram aquilo que é o genérico final", diz, para explicar como se chegou ao que se pode ver no genérico de Counterpart.

Depois de trabalhar como freelancer, Filipe Carvalho tem há cerca de um ano um estúdio próprio em parceria com a produtora Até ao Fim do Mundo. Chama-se Foreign Affairs e permite-lhe trabalhar diretamente com canais norte-americanos, como HBO e Netflix, sem passar pelos estúdios de criativos.

Será que depois do Emmy vem o Óscar para este português? "Não existe esta categoria nos Óscares", explica. Mas Filipe Carvalho tem também apostado nos últimos dois anos no trabalho como realizador. A estatueta dourada pode não ser tão impossível de conquistar... "É muito prematuro. Talvez daqui a dez anos voltemos a falar ao telefone", volta a rir. Certo, certo é que um Emmy já ninguém lhe tira.

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