ESTREIAS: Quem tem medo do crocodilo?

Em Rastejantes os crocodilos atacam. Um blockbuster de verão que imita as fórmulas gastas do terror e suspense: e se um animal desses nos aparecesse dentro de casa?

Para variar, não temos os habituais tubarões. Agora são os crocodilos os responsáveis por nos causar o medo.

Apresentam-se em Rastejantes, de Alexandre Aja, como uma "nova" ideia comercial para desenjoar das variações à volta do peixe-predador que Steven Spielberg, com grande habilidade e visão, encaixou no imaginário cinematográfico. Mas será que temos mesmo medo destes répteis maciços?

A protagonista desta história, interpretada por Kaya Scodelario (Maze Runner, Piratas das Caraíbas), é dada a conhecer ao espectador nos seus treinos de natação, em que, através de flashbacks, se percebe que há um espírito competitivo incutido pelo pai desde a infância. Logo aí fica descarado que o filme tirará partido das suas habilidades de nadadora. Quando o treino termina ela fica a saber que um furacão atingiu o estado da Florida, e depois de uma chamada da irmã, vai ver se está tudo bem com o seu pai... Claro que não está.

Partindo desta relação de pai e filha, Rastejantes assenta nos mais básicos códigos dos filmes catástrofe, ou de sobrevivência, ao mesmo tempo que procura criar um ambiente de arrepio perante a presença dos crocodilos - com um acréscimo de terror (pelo menos a tentativa) causado pela subida do nível das águas. O que definitivamente falta a Aja é a destreza para nos surpreender dentro daquilo que é uma fórmula muito cansada e a pedir exercícios de reanimação. Cada movimento de câmara, cada plano é uma reverência ao cliché, que aqui se vê acompanhado de algumas incongruências na própria gestão narrativa. Há um evidente valor de produção no filme, mas isso não resolve nem metade da falta de ideias e de brilho da execução.

* Medíocre

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