Angry Birds: o nível seguinte

Chegou às salas a sequela do filme baseado na popular aplicação de telemóvel. Angry Birds 2 são desenhos animados em jeito de guloseima para os olhos, com ação a rodos. As adaptações de jogos estão na moda...

O verão pede e a indústria dá: Angry Birds 2 - O Filme é fruta da época com sabor a entretenimento descartável para as crianças que quiserem desenjoar da praia nestes dias folgados. Não se pedirá, aliás, mais do que isso a um filme de animação estribado numa app de iPhone, popular entre miúdos e graúdos, que em 2016 se lançou na aventura do grande ecrã, alimentando-se da rivalidade entre os famosos pássaros que não voam e os porquinhos verdes piratas - os últimos, a ameaçarem a paz da policromática ilha destas aves zelosas dos seus ovinhos.

A nova produção, assinada por Thurop Van Orman, retoma precisamente esse quadro de competição (ou de guerra permanente), quando a ilha dos pássaros já tem um herói bem definido, o irritadiço Red, e os suínos trapaceiros continuam a fazer das suas. Mas um belo dia a dinâmica de "jogo" fica comprometida, na sequência de um pedido de tréguas vinda da parte dos porcos que, por estranho que pareça, não estão a tramar nada... É o chamado "nível seguinte".

Acontece que, desta vez, a ameaça maior vem de outra ilha habitada por uma ave feminina com um excêntrico estilo de vida, que se dedica a fazer experiências para destruir a vizinhança lançando gigantescos meteoritos de gelo sobre os pedaços de terra mais próximos. Diante do perigo comum, as partes inimigas só vislumbram uma solução: unir esforços, por mais antinatural que seja o cenário de afinidades. Com ou sem plano, é preciso é chegar à dita ilha e testar a frigidez do coração da vilã...

Dentro do seu universo colorido e enérgico, Angry Birds 2 não oferece muito para além da diversão corrente, com o estimável desembaraço de uma história gerida entre a simples lógica do jogo e o desenvolvimento "emocional" das personagens (supõe-se que para ter continuidade). Há ritmo com fartura, piadas mais ou menos falhadas, hiatos musicais espertos - que vão desde o All by Myself, de Eric Carmen, ao Space Oddity, de David Bowie - e, sobretudo, um território visual que, pelo excesso de informação e coisas a acontecer, é autêntica guloseima para os olhos. De resto, nesse excesso assume-se a ligeireza do filme de animação: não interessa reter o que quer que seja de substancial, porque o que conta é o gosto momentâneo pelo caos divertido (que, pelo meio, ainda arranja tempo para um gag fofinho, e alargado, com três pássaros bebés atrás do destino de três ovos de família...).

Neste ano em que chegou às salas Pokémon Detetive Pikachu, outro filme a tirar partido do imaginário de um videojogo de êxito planetário, Angry Birds 2 é só mais um título a confirmar a tendência que está à espreita. É certo que os videojogos já têm, desde há algum tempo, uma relação estabelecida com o grande ecrã - veja-se, num registo mais adulto, Tomb Raider ou Resident Evil - mas a moda dos mais populares parece avizinhar-se com contornos comerciais muito evidentes.

Por exemplo, prevê-se para o início do próximo ano a estreia de Sonic: O Filme, aventura em imagem real do ouriço azul que foi o grande sucesso da Sega, aqui a contar com o charme cómico de Jim Carrey no papel do vilão de grandes bigodes, Dr. Robotnik; está também anunciada a produção de Super Mario Bros.: The Movie, baseada nessa mascote da Nintendo, e ainda Minecraft e Tetris - este último previsto na forma de uma trilogia de ficção-científica. Como é que as pecinhas encaixam neste conceito? Resta esperar para ver. Eis o cinema ao sabor das "novas" rotinas de mercado.

** Com interesse

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.