A coleção de inacreditáveis fake news sobre o Papa Francisco

Este domingo na Feira do Livro de Lisboa, o repórter Nello Scavo vai apresentar o livro em que desmascara a campanha de fake news contra o Papa Francisco. Basta ver as provas para perceber que nem o líder religioso está a salvo das grandes mentiras!

O título do livro sobre o Papa Francisco é inesperado: Fake Pope. A capa mostra um super-papa a voar como se fosse o Super-Homem, com o punho cerrado para bater em alguém. Olha-se para a editora e estranha-se o nome, Paulinas. Uma editora de cariz católico!...

É preciso ler o subtítulo para perceber que este livro é uma coisa séria e não uma banda desenhada para gozar com o papa como se pode pensar à primeira vista: As falsas notícias acerca do Papa Francisco! Sim, é disso que se trata, quase 300 páginas para revelar as fake news sobre o atual inquilino do Vaticano, líder de centenas de milhões de fiéis cristãos.

O livro é de autoria dos jornalistas Nello Scavo e Roberto Beretta, especialistas em assuntos religiosos e autores de várias obras de investigação e ensaísticos. Quanto ao inesperado livro Fake Pope, os autores justificam-no de forma clara: "Não é uma obra apologética". Consideram que o Papa "pode ser criticado e em certos casos até o deve ser". Nenhum deles acredita na "infalibilidade pontifícia" e, dizem, "reorientá-lo" é também uma missão da comunicação social.

O que Nello Scavo e Roberto Beretta pretendem com Fake Pope é mostrar que "circulam falsas acusações contra o Papa Francisco", sendo algumas delas "completamente inventadas", outras "claramente instrumentais" e "algumas que se podem refutar por se contradizerem". Os autores avisam que este papa não é o primeiro a ser atacado, declarando que não pretendem sequer ter "comiseração pelo Santo Padre", mas que lhes foi impossível passar ao lado de "comentários que circulam sobre ele que ultrapassam os limites da decência e da lei".

Basta ver as imagens do encarte fotográfico do livro para se compreender o que Scavo e Beretta afirmam. E a consulta do índice confirma uma infindável lista de fake news com o propósito da difamação papal. Entre os vários capítulos estão situações que envolvem o sentimento ecológico do papa, o maçon perfeito, a roupa suja da pedofilia, a situação dos migrantes, a ideologia do género, o papa socialista, o antipapa, os palavrões do Santo Padre...

O que Nello Scavo e Roberto Beretta pretendem é mostrar "o fio lógico entre as notícias a fim de se entender que alguns boatos nascem de maneira espontânea, mas outros são fruto de uma estratégia bem precisa para desacreditar o Pontífice."

É dessa estratégia que Nello Scavo irá falar este domingo na Feira do Livro de Lisboa, pelas 19.00 no Auditório, tentando mostrar que nem tudo o que já se escreveu sobre Francisco é verdade.

Exemplo 1

O espalhafatoso cineasta Michael Moore colocou no Twitter após o anúncio do papa que se seguiu a Bento XVI uma fotografia com Francisco a dar a comunhão ao general Videla, o "chefe dos ditadores carniceiros argentinos". Explicam que a fotografia foi manipulada e que diz respeito a um outro sacerdote: "Bastou introduzir a foto num motor de busca e a legenda da foto original não faz qualquer referência ao Papa." Além de que fisicamente o Papa tinha diferenças com o que está a dar a comunhão a Videla. Michael Moore teve de pedir desculpas pelo engano e obrigado a apagar o tweet.

Exemplo 2

A questão da orientação sexual também é rica em exemplos, como o da frase que o Papa terá dito: "Quem sou eu para julgar um homossexual?" Na realidade a afirmação era maior: "Se uma pessoa é gay, procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?"

Exemplo 3

A teoria da conspiração é muitas vezes atribuída a este papa. Essa técnica, dizem os autores, surge logo em 2015 por um colunista católico, Ross Douthat, que denuncia no The New York Times o Papa estar num complô para mudar o catolicismo quando na verdade, referem os autores, "Francisco atua muito às claras", ou o apoio papal de milionários como George Soros que teria gasto milhares de dólares para alterar o caráter da visita deste Papa aos EUA ou ser responsável pela resignação de Bento XVI.

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