História do K-Pop para ‘fãs oficiais’ dos BTS, das BLACKPINK e não só
Foi desafiada por uma amiga que Sandra Horta começou a ver séries coreanas. Isto há uns dez anos, apesar do interesse pelas culturas asiáticas vir desde a adolescência. “Fiquei surpreendida com a qualidade dos enredos, dos figurinos, dos cenários, e com o desempenho e entrega dos atores. E cada série fazia com que me embrenhasse mais profundamente nos aspetos da cultura e da história da Coreia”, conta a autora de A história do K-Pop (com Miguel Cardoso Pereira). As ilustrações do livro, de bandas como BTS, BLACKPINK ou Stray Kids, são de Joana Raimundo.
A partir dessa descoberta das séries, seguiu-se para Sandra Horta o estudo da língua, no Instituto King Sejong de Lisboa, e a visita ao país, com incursões aos mercados, o vestir do hanbok e a ida ao Palácio Gyeongbokgung, em Seul, símbolo da civilização coreana, plurimilenar. E é esse interesse pela cultura coreana, nas suas mais variadas facetas, que sobressai quando se está a ler o seu A história do K-Pop.
Este é um fenómeno musical que conquistou o mundo, como eu próprio descobri como jornalista há também uma década ao regressar de uma reportagem na Coreia do Sul (sobre a eterna tensão com a Coreia do Norte) e ser convidado para jurado do concurso de K-Pop. Havia uma multidão junto ao Museu do Oriente, em Lisboa, para o evento organizado pela embaixada da Coreia. E concorrentes de todo o país.
Sandra Horta, que teve aulas com o professor Kang Byung-goo, na Nova, onde funciona o instituto que tem o nome do rei coreano que criou o alfabeto hangeul, explica que “para aqueles que não começam logo a gostar de K-Pop, o pop coreano vai chegando indiretamente aos nossos ouvidos através das bandas sonoras dos filmes e das séries. E para uma amante de música, foi nesse contexto que surgiu o interesse subtil de perceber quem dava voz aquela música, quem produzia aquela melodia ou aquele verso que tocava em loop na minha cabeça durante dias. Nomes como Epik High, Love X Stereo, MeloMance, IU, Suzy, Davichi, Eddy Kim, Henry, EXO e Kim Yuna são alguns dos que foram compondo as minhas playlists. Até que as minhas colegas do curso de coreano me apresentaram os BTS, cujas histórias de vida me abriram os olhos para o lado cru e brutal da indústria”. E acrescenta: “Se tenho algum grupo favorito? Digamos que neste momento tenho várias músicas dos Stray Kids na minha lista de favoritos, e que há uns bons meses que o álbum Arirang dos BTS faz parte do meu dia a dia”.
Para Joana Raimundo a experiência foi diferente, de descoberta. “Ilustrar este livro foi uma aventura porque a realidade é que estou totalmente fora desse universo. Conhecia algumas bandas de nome mas nunca tinha ouvido as músicas então foi interessante descobrir mais sobre este fenómeno e, também, um enorme desafio. As bandas estão sempre a mudar, quanto ao estilo e aos seus elementos. Começava a pesquisá-las e rapidamente ficava cheia de dúvidas ‘e agora, quem é que incluo e em que vídeo me baseio?’ Valeu-me a ajuda preciosa da editora e da Sandra, que me orientaram ao longo do processo”, diz a ilustradora. “Gostei muito de desenhar Astro, BLACKPINK, BTS e Illit.”
A capa do livro afirma: “ Para fãs oficiais”. Na realidade é um livro para fãs, mas também para quem já ouviu, gosta, mas quer saber como nasceu o K-Pop, as influências, o sucesso Psy e as bandas das várias gerações (já vai na quinta) e como tudo se relaciona com o Hallyu, a “onda coreana”, que vai dos filmes à gastronomia, passando pela moda.
Prova de que o K-Pop não é em Portugal um fenómeno de nicho, temos o sucesso anual da Festa da Cultura Coreana e também recordo que em setembro de 2025 o Meo Arena ficou lotado com fãs de K-Pop. Milhares ouviram durante mais de três horas boybands como Ateez, Zerobaseone e Riize e os grupos femininos Ive e Izna. E ainda Taemin. Um concerto Music Bank, que decorre a cada ano numa grande cidade estrangeira e que depois de Madrid, Paris, Nova Iorque e Tóquio chegou a Lisboa. Já em 2026, em maio, o Meo Arena encheu para o concerto das Twice.
“É uma alegria ver crescer em Portugal o interesse pela cultura coreana, do K-pop aos K-dramas e à K-beauty”, escreveu há dias no DN a embaixadora Seo Eunji. A nova embaixadora sul-coreana em Lisboa anunciou que várias iniciativas vão decorrer para promover os laços entre os dois países, como o “K-Friends Day”.


