Guillermo Del Toro. Filmar com um olhar de criança curiosa

Numa conferência virtual, Guillermo Del Toro em dezembro ainda não sabia que o seu filme iria dividir opiniões. Em Nightmare Alley - Beco das Almas Perdidas assume o exercício de estilo do filme negro através da história de um homem com um segredo do passado que vai parar a um circo rural. Aos poucos torna-se num médium com uma fórmula de sucesso. Há quem ponha reservas a um "look" demasiado imposto, mas há também quem elogie a elegância de um processo visual onde tudo está no sítio.

Mais sereno do que é habitual, o realizador mexicano diz que o seu novo filme coloca questões no ar que o fazem refletir como criador de histórias: "Tal como a personagem de Bradley Cooper, também eu tenho uma relação algo conflituosa com o sucesso. Para mim, sucesso não passa pelos elogios dos outros mas sim por conseguir fazer o que queria. Demorei tempo a perceber isso. O sonho americano provoca-me pesadelos. Esta personagem está sempre à beira de perder tudo".

Del Toro assume também que certas personagens dizem-lhe coisas diferentes: "E tudo se passa no passado mas tem a ver com a atual situação, entre o que é verdade e ilusão e a forma como as pessoas são crentes ou não. Enfim, passa pela compaixão que ainda podemos ter. Tentámos fazer um filme dos anos 1930 que tivesse a ansiedade destes dias. Este é um filme sobre os dias de hoje, não é sobre aquela época. Vivemos dias em que é importante distinguir a verdade da narrativa e a mentira da narrativa".

Quase na despedida, o realizador oscarizado não esquece um desejo formal: "Quis que a câmara tivesse um olhar de uma criança, um ponto de vista de curiosidade. Filmei muitas personagens de trás, como se a câmara estivesse a tentar espreitar pelo ombro..."

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