Grupos religiosos boicotam Netflix por causa de paródia de Natal do Porta dos Fundos

Especial de Natal "A Primeira Tentação de Cristo", em que Jesus, interpretado por Gregório Duvivier, leva um namorado, o ator Fábio Porchat, para conhecer a família revolta cristãos. Petição soma 280 mil assinaturas.

O grupo de humor brasileiro Porta dos Fundos é o alvo de uma iniciativa popular de boicote à Netflix. Uma petição online dirigida à plataforma de streaming que pretende que o filme "Especial de Natal, a Primeira Tentação de Cristo" do coletivo brasileiro seja retirado do catálogo da empresa reúne já cerca de 280 mil assinaturas, segundo o site Gospel Mais.

Segundo a sinopse do filme, "Jesus está fazendo 30 anos e traz um convidado-surpresa para conhecer a família. Um especial de Natal tão errado que só podia ser do Porta dos Fundos". O amigo que Jesus, vivido por Gregório Duvivier, apresenta à família é na verdade o seu namorado, interpretado por Fábio Porchat, que se revela mais tarde o diabo. Por outro lado, um dos reis magos leva uma prostituta ao aniversário de 30 anos de Jesus, cujo pai físico, José, é um desastrado carpinteiro, e o espiritual, Deus, um idoso com hábitos bastante modernos. E há também discípulos que perdem a última Ceia por estarem bebêdos, entre outras peripécias.

"Hoje, os esquerdistas não escondem mais o seu ódio contra a religião mais perseguida do mundo: o cristianismo [...]", escreve o pastor Fraklim Ferreira, citado pelo Gospel Mais, no Facebook. "O Porta dos Fundos, que tem entre as suas estrelas tem um ferrenho defensor do PT e PSOL, é parte desse movimento para vilipendiar e ridicularizar a fé no Senhor Jesus Cristo", continuou Ferreira, politizando o tema.

Outro pastor, Joel Theodoro, cancelou a assinatura da Netflix. "Manter-me na qualidade de um patrocinador de produções cinematográficas que zombam e vilipendiam o Senhor é o mesmo que esbofeteá-lo, cuspir nele, bater em sua cabeça para lhe enterrar os espinhos da coroa, zombar com deboches, forçá-lo a andar nu pelas ruas carregando o grande peso do madeiro, furá-lo ao lado com uma lança, gritar para que ele desça da cruz se for capaz".

O ator Carlos Vereza, conhecido pelas posição conservadoras, engrossou o coro. "Porta dos Fundos: vocês são lamentáveis como viventes. Embora Jesus não precise de defesa, principalmente a minha, vocês imaginam que podem debochar, não do Mestre, que é perdão antecipado, mas do maior país católico do planeta e dos que creem num Ser que modificou a história, antes e depois Dele", escreveu o ator, citado pelo jornal evangélico Guia-Me.

"Vocês são safos, descolados, sub imitação dos filmes trash- refuse-pornô, supostos pós-modernos num país em eterno subdesenvolvimento", acrescentou. "Idiotas pretensiosos, estafetas da Nova Ordem Mundial, que têm como pauta, desde a Escola de Frankfurt, a desconstrução da família e da religião", concluiu.

A rede de ighrejas evangélicas The Gospel Coalition escreveu dez princípios sobre a relação dos cristãos com o especial de natal. No 3, afirma que "devemos reconhecer e exaltar bondade, verdade e beleza na nossa cultura e ao mesmo tempo "odiar o que é mal". O verdadeiro amor odeia".

E, no ponto 4, que "há diferentes tipos de maldades e graduações de pecados". "Existem pecados que são mais abomináveis aos olhos do senhor do que outros. Homossexualidade está entre os mais abomináveis. Lembrando que há perdão pleno para esse tipo de pecado em Cristo Jesus".

O deputado Eli Borges, do SD, usou a tribuna da Câmara dos Deputados para repudiar o grupo de humor e a Netflix: "Uma verdadeira afronta à fé cristã quando falam de um Jesus gay e de discípulos que não foram à Ceia porque estavam embriagados [...] Quero pedir à Netflix que respeite o Brasil, que respeite o Brasil cristão e conclamo os milhões de brasileiros para que comecem a deixar de lado a Netflix que pelo segundo ano consecutivo traz essa afronta aos cristãos", afirmou o parlamentar evangélico.

No ano passado, o Porta dos Fundos já criara "Se Beber não Ceie", outra paródia iconoclasta, que ganhou o Emmy Internacional de melhor comédia do ano.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG