Évora e o seu vagar vencem corrida para Capital Europeia da Cultura em 2027

A partir de 2024, passa a existir a Capital Portuguesa da Cultura. Aveiro, Braga e Ponta Delgada, as três finalistas vencidas de ontem, vão ser as primeiras anfitriãs desta iniciativa.

Évora vai ser Capital Europeia da Cultura em 2027, uma distinção que partilhará com a Liepaja, na Letónia. Aveiro, Braga e Ponta Delgada, que eram as outras três finalistas nacionais, vão ser, entre 2024 e 2026, Capital Portuguesa da Cultura, uma nova atribuição anunciada ontem pelo ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva.
"Propusemos um conceito de "Vagar" para a Europa porque entendemos que a Europa precisa desse vagar. Estamos numa encruzilhada e precisamos repensar a nossa sociedade, a nossa vida, a forma como vivemos, como nos juntamos, como procuramos a felicidade. E julgo que o vagar, que está radicado na identidade cultural alentejana, é fundamental não apenas para o Alentejo mas para o país e para a Europa. Insere-se exatamente nos valores que Europa aponta e que nós aqui também apontamos por via da cultura poder lá chegar", declarou, emocionado, Carlos Pinto de Sá (CDU), presidente da Câmara de Évora, pouco depois de ser anunciada a cidade vencedora.
Como vencedora deste concurso para Capital Europeia da Cultura, Évora irá receber 29 milhões de euros para concretizar o seu projeto. "São 29 milhões repartidos com o esforço nacional de 15 milhões de euros, 10 milhões de euros do programa operacional regional respetivo de quem for o vencedor e ainda 4 milhões de euros de financiamento através do turismo, sujeitos a uma candidatura ao Turismo de Portugal", explicou o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva.
O governante destacou ainda "a importância" de as quatro finalistas serem "quatro cidades que estão fora das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto": "Isso é fundamental para o país, essa possibilidade de termos uma presença da Cultura no território, para além de Lisboa e do Porto".

Concurso a partir de 2028

A cerimónia de ontem foi ainda marcada com o anúncio de que, a partir de 2024, o país passará a ter anualmente uma Capital Portuguesa da Cultura, uma iniciativa que resulta de um pedido feito pelos autarcas das quatro cidades finalistas a Pedro Adão e Silva, e que receberá um apoio de dois milhões de euros do governo. As três primeiras edições serão acolhidas por Aveiro, Braga e Ponta Delgada, as finalistas ontem derrotadas, sendo que a anfitriã de 2028 será já escolhida através de um concurso público. Em 2027, não haverá edição desta nova iniciativa, pois é o ano em que Évora será Capital Europeia da Cultura.
"A cultura tem que estar numa estratégia de desenvolvimento de qualquer país, e ouvir o ministro anunciar aqui a possibilidade de Portugal passar a ter uma capital de Cultura é uma notícia muito importante para o setor e para o desenvolvimento do país. Da nossa parte estaremos empenhados em que essa aposta possa dar resultados", referiu Carlos Pinto de Sá.
Já o presidente da Câmara de Aveiro, Ribau Esteves, garantiu ontem que vai continuar a trabalhar e investir na cultura. "Em 2027, a nossa cidade não vai ser Capital Europeia da Cultura, sendo que vamos continuar a trabalhar e a investir na cultura, como temos vindo a fazer nos últimos sete anos, implementando a sua Estratégia para a Cultura, definida no seu Plano Municipal, aumentando a qualidade do processo de desenvolvimento integral em curso no município de Aveiro", comentou o autarca.
Também o presidente da Câmara de Braga afirmou que a cidade "será sempre uma capital de cultura", apesar de ter perdido a corrida para ser a Capital Europeia. Ricardo Rio deixou ainda um "elogio veemente" à decisão da criação da Capital Portuguesa da Cultura. "Braga vai ser sempre uma capital de cultura, já que a nossa estratégia cultural não dependia da eleição como Capital Europeia da Cultura. Com menos recursos, certamente, vamos seguir o nosso percurso, de acordo com a estratégia delineada", referiu o autarca bracarense.
Da parte da terceira finalista vencida, Ponta Delgada, o discurso é semelhante, com a garantia de que a aposta na cultura é para continuar. "Foi uma porta que se abriu. É um processo que é longo e que deve continuar, não só da parte do município e do governo mas também do ponto vista cívico, dos agentes culturais e dos artistas que acreditam na cultura", afirmou o diretor artístico da candidatura da capital açoriana.
António Pedro Lopes, que considerou "excelente" a decisão de fazer das cidades não escolhidas capitais nacionais da cultura, destacou que a atual equipa da candidatura de Ponta Delgada vai continuar a trabalhar até março. "Vamos trabalhar neste lugar do processo de candidatura. Examinando o que é que pode continuar em relação com a estratégia cultural de Ponta Delgada e percebendo que projetos podem ganhar corpo e ser postos em prática", vincou o diretor artístico.

Com Lusa

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG