Escritora Lídia Jorge vence Prémio Eduardo Lourenço 2023

O vice-reitor da Universidade de Coimbra, Delfim Leão destacou que a atribuição deste prémio a Lídia Jorge reforça "a presença feminina no leque de premiados, ela que é precisamente um dos arautos por excelência dessa visibilidade das vozes femininas através da sua obra".
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A escritora portuguesa Lídia Jorge é a vencedora da 19.ª edição do Prémio Eduardo Lourenço, anunciou esta sexta-feira o Centro de Estudos Ibéricos (CEI).

"O júri, por unanimidade, decidiu que o Prémio Eduardo Lourenço em 2023 será atribuído à escritora Lídia Jorge", revelou o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, e elemento da direção do CEI.

O autarca realçou que se dá assim "uma dimensão maior ao Prémio Eduardo Lourenço, que já não só da Ibéria, mas também da Ibero-americana, tendo em conta a sua presença naquelas latitudes".

O vice-reitor da Universidade de Coimbra, Delfim Leão, sublinhou que, tendo em conta que "o Prémio Eduardo Lourenço tem sido maioritariamente até agora masculino, não deixa de ser interessante o galardão atribuído a Lídia Jorge. Vem reforçar a presença feminina no leque de premiados, ela que é precisamente um dos arautos por excelência dessa visibilidade das vozes femininas através da sua obra".

O vice-reitor da Universidade de Salamanca, José Mateos Roco, destacou que "foi uma decisão muito pensada, muito ponderada, foram valorizados todos os pontos de vista, mas a figura da premiada foi a que mais reunia condições para este ano ser vencedora, sobretudo nessa nova dimensão que se pretende do prémio".

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, felicitou Lídia Jorge e recordou que a escritora portuguesa também venceu recentemente outro galardão da Associação Portuguesa de Escritores.

"O Presidente da República felicita a escritora Lídia Jorge, distinguida hoje com o Prémio Eduardo Lourenço, atribuído pelo Centro de Estudos Ibéricos", refere uma nota publicada no site oficial da Presidência na Internet.

A nota lembra ainda que Lídia Jorge venceu recentemente o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, com "Misericórdia", livro indicado "como candidato a dois prémios de melhor romance estrangeiro publicado em França".

"O prémio agora anunciado, que se segue a outras consagrações nacionais e estrangeiras recentes, singulariza-se por ter o nome do Prof. Eduardo Lourenço, antecessor de Lídia Jorge no Conselho de Estado", sublinha a Presidência.

A escritora portuguesa foi a vencedora da 19.ª edição do Prémio Eduardo Lourenço, anunciou hoje o Centro de Estudos Ibéricos (CEI).

Destinado a galardoar personalidades ou instituições com intervenção relevante no âmbito da cultura, cidadania e cooperação ibéricas, o Prémio Eduardo Lourenço 2023, no montante de 7.500 euros, foi atribuído por um júri constituído pelos membros da direção do Centro de Estudos Ibéricos (presidente da Câmara Municipal da Guarda, reitor da Universidade de Coimbra e reitor da Universidade de Salamanca), membros das comissões Científica e Executiva do CEI e pelas seguintes personalidades convidadas: Maria de Lurdes Fernandes e José Augusto Cardoso Bernardes, indicadas pela Universidade de Coimbra, e María Ramona Domínguez Sanjurjo e Francisco Gómez Bueno, indicadas pela Universidade de Salamanca.

Lídia Jorge estreou-se com a publicação de "O Dia dos Prodígios", em 1980. Desde então tem publicado romance, conto, ensaio, teatro, crónica e poesia. As suas narrativas foram adaptadas ao teatro, à televisão e ao cinema.

De entre os seus livros destacam-se títulos como "A Costa dos Murmúrios", "O Vale da Paixão", "O Vento Assobiando nas Gruas", "Os Memoráveis", "Estuário".

Amplamente traduzida e publicada no estrangeiro, Lídia Jorge já foi distinguida diversas vezes, nomeadamente com o Prémio Correntes d'Escritas, em 2004, Prémio Albatros, da Fundação Günter Grass, em 2006, o Prémio Vergílio Ferreira, da Universidade de Évora, em 2015, e o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas, da Feira do Livro de Guadalajara, no México, em 2020.

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