Escritora Djaimilia Pereira de Almeida vence prémio Oceanos

Romance "Lisboa, Luanda, Paraíso" da autora portuguesa foi o premiado este ano. "Eliete", de Dulce Maria Cardoso, ficou em segundo lugar.

A portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida, autora de Lisboa, Luanda, Paraíso, venceu a edição de 2019 do Oceanos - Prémio de Literatura em Língua Portuguesa, cujo resultado foi anunciado hoje em São Paulo, no Brasil.

Luanda Lisboa Paraíso é o segundo romance de Djaimilia Pereira de Almeida e já conta com o Prémio Literário Fundação Eça de Queiroz e o Prémio Literário Fundação Inês de Castro, tendo sido também um dos finalistas do Prémio APE e do Prémio PEN Clube. No centro desta narrativa estão Cartola de Sousa, parteiro num hospital em Luanda, e Aquiles, seu filho, nascido com um calcanhar defeituoso. Pai e filho viajam para Lisboa, nos anos 1980, para que o rapaz possa ser submetido aos tratamentos médicos que resolveriam o seu problema no pé. Para trás deixam Glória, mãe de Aquiles, doente e imobilizada na cama, entregue aos cuidados da filha, Justina, irmã de Aquiles. O título do livro traça o percurso feito por pai e filho, nessa viagem que começa cheia de sonhos e esperança - de uma Lisboa idílica que os receberia como portugueses, mas que acaba por ser uma epopeia sem regresso e sem lugar para a ilusão.

"Interessou-me contar uma história tradicional da diáspora, tentando explorar literariamente uma certa interioridade negra", contou na altura da publicação ao DN. Embora, no final, essa negritude acabe por não ser central na história mas sirva como "um caudal subterrâneo, é mais um ambiente, uma atmosfera". Mais importante do que o sítio de onde vêm ou a cor da sua pele é esta história tão comum de uma família que se divide e de a viagem estar relacionada com a doença. "É algo muito comum entre as pessoas que vêm das ex-colónias para Portugal, vêm por razões de saúde. E muitas vezes essas pessoas não sabem que cá vão ficar. Interessava-me explorar esta ideia da doença como algo que condiciona a nossa vida e que determina aquilo que fazemos."

As autoras Dulce Maria Cardoso, de Portugal, que escreveu Eliete, e a brasileira Nara Vidal, autora de Sorte, foram distinguidas em segundo e terceiro lugar, respetivamente.

Nesta edição, o valor total do prémio foi aumentado de 230 mil reais (49 mil euros), em 2018, para 250 mil reais (53,5 mil euros). A vencedora recebe 120 mil reais (27 mil euros), a segunda classificada 80 mil reais (18 mil euros) e a terceira 50 mil reais (11 mil euros).

O prémio Oceanos teve a participação de 1 467 concorrentes com obras lançadas por 314 editoras de 10 países.

Patrocinada pelo Banco Itáu, esta edição do prémio teme curadoria da gestora cultural Selma Caetano, da linguista cabo-verdiana Adelaide Monteiro e dos jornalistas Isabel Lucas (de Portugal) e Manuel da Costa Pinto (do Brasil). Compuseram o Júri Final dois portugueses: o poeta Daniel Jonas e o crítico literário Manuel Frias Martins; e três brasileiras: as escritoras Maria Esther Maciel e Veronica Stigger, e a crítica literária Eliane Robert Moraes.

Djaimilia Pereira de Almeida é também autora de Esse cabelo (Teorema, 2015) e Ajudar a cair (FFMS, 2017). Nascida em Angola, vive nos subúrbios de Lisboa e escreve no Blog da Companhia das Letras.

É a quinta escritora de nacionalidade portuguesa a vencer este galardão, juntando-se assim a Gonçalo M Tavares, Valter Hugo Mãe, José Luís Peixoto e Ana Teresa Pereira. O romance Lisboa, Luanda, Paraíso foi também publicado no Brasil em 2019, pela Companhia das Letras brasileira.

Em comunicado, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, felicita a escritora que ganhou "um dos mais importantes prémios da língua portuguesa", que resulta de uma parceria entre o Ministério da Cultura de Portugal e o Instituto Itaú Cultural, do Brasil. "Esta iniciativa tem-se destacado como um relevante instrumento para a consolidação e promoção da língua portuguesa, numa parceria entre entidades públicas e privadas", escreve a ministra. "O Prémio representa um diálogo fundamental entre as várias culturas que partilham a mesma língua, expressando, em simultâneo, a sua transversalidade e a força de diversos géneros literários, da prosa à poesia, promovendo a língua portuguesa como um património comum de vários países."

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