Revelado no Festival de Sundance de 2025, onde arrebatou um Prémio Especial do Júri e o Prémio do Público, DJ Ahmet é um filme que responde de forma simples e irónica a uma velha pergunta “sociológica”: como é que o cinema nos pode ajudar a conhecer pessoas e lugares muito distantes (pela geografia ou pela cultura) da nossa experiência comum? Pois bem, se o espetador quer saber como se vive numa aldeia esquecida da Macedónia do Norte e, em particular, como será a vida de um jovem seduzido pelos ritmos da música anglo-saxónica, aí está a resposta.O filme do argumentista e realizador Georgi M. Unkovski (macedónio, nascido em Nova Iorque em 1988) não deixa de suscitar uma questão que passou a assombrar alguns aspectos da circulação internacional do cinema. Ou seja: até que ponto há cada vez mais filmes de cinematografias de limitados recursos (de produção e difusão) que parecem formatados para suscitar uma celebração automática, politicamente correta, nos circuitos dos festivais?Não há uma resposta unívoca a tal pergunta, até porque a sua formulação pode ser suscitada pelos mais variados contextos (incluindo o português). Em todo caso, a prudência crítica aconselha a que não deitemos fora o bebé com a água do banho... Há filmes como DJ Ahmet cujo trabalho narrativo, ainda que limitado por efeitos dramáticos mais ou menos previsíveis, justifica alguma atenção.Ahmet (Arif Jakup) é um rapaz de 15 anos cuja paixão pela música se confunde com o sonho de ser DJ, mas o quotidiano está longe de satisfazer os seus delírios. O pai precisa da sua ajuda para tratar do rebanho que é a essencial fonte de rendimento da família; além do mais, depois da morte da mãe o seu irmão de cinco anos, Naim (Agush Agushev), deixou de falar — contra a vontade de Ahmet, o pai insiste em levar Naim a sessões com um curandeiro... O confronto entre novas formas de vida e o peso das tradições vai ser pontuado pela jovem Aya (Dora Akan Zlatanova), chegada da Alemanha para satisfazer o casamento que o pai lhe arranjou — resumindo, Ahmet enamora-se de Aya que, “obviamente”, também tem a paixão da música...Garantido o romance, a realização de Unkovski consegue, apesar de tudo, não abdicar de um naturalismo envolvente que empresta ao filme uma respiração que, nos melhores momentos, se aproxima de um tom quase documental. Os minutos finais propõem uma resolução dramática algo apressada, mas é um facto que, no meio de tudo isto, os atores mantêm uma postura que nunca anula a verdade humana das suas personagens..'Blue Moon'. A arte nunca desiste da beleza.'Ainda Funciona?'. A solidão vivida perante um microfone