Depois do discurso de Boris Johnson, teatros e museus fecham também no Reino Unido

Por causa da epidemia de covid-19, instituições culturais britânicas fecham as portas mas pedem definição dos apoios e compensações previstos pelo governo.

Portas fechadas, ruas vazias, silêncio. O West End, em Londres, fechou todos os seus teatros depois de o primeiro ministro britânico Boris Johnson aconselhar a população a evitar locais com muitas pessoas como medida de prevenção contra o covid-19. "Devem evitar bares, clubes, teatros e outros locais sociais", disse Johnson ao país.

Em resposta a estas declarações a Society of London Theatre, que representa o West End, disse que todos os teatros iriam encerrar na noite de segunda-feira até novo aviso. E a organização UK Theatre disse que seus 165 espaços em todo o país dariam o mesmo passo.

A Royal Opera House também fechou imediatamente após a conferência de imprensa do primeiro-ministro. A Tate anunciou o encerramento de todos os seus espaços até 1 de maio - foi o primeiro museu a fazê-lo mas outros estão a seguir-lhe o exemplo.

Mas, segundo a BBC e o jornal The Guardian, muitas figuras do mundo do teatro, da música e da vida noturna não ficaram satisfeitas com o facto de Johnson ter aconselhado as pessoas a ficarem longe sem forçar o encerramento dos locais, o que poderia dar-lhes alguma proteção financeira.

"Fechar locais não é uma decisão tomada de ânimo leve, e sabemos que isso terá um forte impacto em muitos dos 290 mil indivíduos que trabalham no nosso setor", admitiu Julian Bird, diretor executivo da Society of London Theatre e do UK Theatre.

A UK Music, que representa a indústria musical, admite que as centenas de cancelamentos de concertos e festivais vão causar "prejuízos imensos", e os comentários de Johnson correm o risco de exacerbar o problema. "O último conselho do primeiro-ministro sobre concentração de pessoas resultou numa enorme incerteza e confusão sobre o que exatamente isso significa para a indústria da música", diz o diretor executivo Tom Kiehl. "O governo deve especificar se haverá uma proibição formal, quando isso entra em vigor, quais locais e eventos que serão afetados e por quanto tempo as medidas permanecerão em vigor."

Patrick Gracey, produtor da mais recente peça de Tom Stoppard, Leopoldstadt, diz que o primeiro-ministro "acabou de condenar toda uma indústria dizendo às pessoas para não irem ao teatro". E acrescenta: "Ao não impor uma paralisação, o seguro de produção não poderá se aplicara, de modo que os produtores e companhias vão falir, e dezenas de milhares de pessoas ficarão sem pagamento".

Tamara Rojo, diretora artística do Ballet Nacional Inglês, queria que o governo apresentasse "planos claros de como vai apoiar a indústria quando todos estivermos no escuro". "Esta é uma indústria que fornece anualmente 111 mil milhões de libras à economia, emprega dois milhões de pessoas e um terço delas são freelancers. Portanto, para muitos, este encerramento repentino sem uma proibição clara - o que significa que muitos locais, teatros e museus não poderão reivindicar compensação por uma perda devastadora - significa muita incerteza e potencialmente muita perda de emprego e de rendimento", disse Tamara Rojo no programa Today da BBC Radio 4.

Caroline Norbury, diretora executiva da Federação das Indústrias Criativas, concorda: "Como as medidas de distanciamento social anunciadas são apenas avisos, e não uma proibição total, estamos profundamente preocupados com o facto de as organizações criativas e os espaços culturais acharem que não podem reivindicar compensação pelos enormes prejuízos que sofrerão como resultado do covid-19".

A Associação de Museus pediu ao governo que desviasse dinheiro do Festival da Grã-Bretanha para ajudar as instituições que se encontrarão em dificuldades financeiras. "Pedimos a criação de um fundo de emergência para apoiar os museus neste período difícil", disse Sharon Heal, diretora da associação. "O governo tinha reservado 120 milhões de libras para um Festival da Grã-Bretanha em 2022. Acreditamos que esse dinheiro agora deve ser disponibilizado para apoiar museus em risco de encerramento permanente como resultado da epidemia de Coronavírus".

Entretanto, Oliver Dowden, secretário de estado de Digital, Cultura, Comunicação Social e Desporto, disse que o governo está a trabalhar em estreita colaboração com o Arts Council England "para garantir que o setor das artes permanece forte" e que o governo vai "dar mais apoio".

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