Carta onde Van Gogh e Gauguin contam ida a bordéis vendida por 210 mil euros

A única carta conhecida escrita a quatro mãos por Vincent van Gogh e Paul Gauguin, onde são contadas as suas visitas a bordéis franceses, foi vendida por mais de 210.000 euros (237.000 dólares) num leilão em Paris.

Endereçada ao pintor Émile Bernard, figura-chave do movimento pós-impressionista, a carta foi escrita à mão pelos dois artistas e tem quatro páginas. Foi escrita em novembro de 1888, logo após Van Gogh divulgar algumas das suas obras mais conhecidas, incluindo "Bedroom in Arles", "Van Gogh's Chair" e grande parte da sua célebre série "Sunflowers".

A correspondência foi escrita na cidade francesa de Arles, onde o pintor holandês vivia desde fevereiro de 1888.

A mensagem começa com as impressões de Van Gogh sobre Gauguin, descrevendo-o como uma "criatura intocada com os instintos de um animal selvagem".

"Com Gauguin, sangue e sexo têm uma vantagem sobre a ambição", afirmava Van Gogh, antes de contar algumas das viagens com Paul Gauguin.

"Fizemos algumas excursões nos bordéis e é provável que acabemos indo para lá com frequência para trabalhar", escreveu Van Gogh. "Atualmente, Gauguin está a pintar uma tela sobre o mesmo café noturno que já pintei, mas com figuras vistas nos bordéis. Promete tornar-se uma coisa bonita", frisa.

Van Gogh também discute a intenção de criar uma associação de artistas, bem como referenciar estudos pictóricos que estava a trocar com o destinatário da carta, Émile Bernard. Gauguin continua com uma mensagem mais curta na terceira e quarta páginas. "Não dê ouvidos a Vincent", escreveu, "como você sabe, ele é propenso a admirar e diz ser indulgente".

Van Gogh era conhecido por visitar regularmente bordéis. Além de retratar cenas ocorridas dentre dos estabelecimentos, o pintor holandês completou retratos de várias prostitutas, incluindo Sien Hoornik, uma costureira com quem teve um relacionamento no início da década de 1880.

Há registo de mais de 900 cartas escritas por ou para Van Gogh, embora a maioria seja entre o artista e seu irmão Theo. Os historiadores de arte usaram essa correspondência para entender melhor a vida conturbada do pintor, como ele costumava usar o meio para discutir assuntos pessoais, desde problemas financeiros a influências literárias.

No catálogo de vendas, a casa de leilões francesa Drouot Estimations declarou que, apesar da "fragilidade" da carta, o item é "excecional devido ao encontro extraordinário de dois imensos pintores, mas também pela lucidez e certeza de que a sua pintura revolucionará a arte das futuras gerações".

O leilão também contou com outra correspondência escrita por Gauguin, incluindo cartas para sua esposa e um amante desconhecido.

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