Exclusivo Agnès Varda: uma luz na Casa do Cinema

Uma exposição, um livro e uma retrospetiva. Esta última arranca amanhã e completa a operação "Agnès Varda: Luz e Sombra", na Casa do Cinema Manoel de Oliveira. Uma iniciativa a decorrer no âmbito da Temporada Portugal-França 2022, que renova o prazer do encontro com a obra da cineasta, fotógrafa e artista plástica.

"Há em Agnès Varda uma poética que se confunde com uma política do quotidiano. Interessa-lhe tudo o que, a um olhar mais desatento, não tem interesse, interessa-lhe o que dificilmente se vê, o resíduo, o rejeitado ou marginalizado, a pequena história, interessa-lhe interrogar a singeleza dos objetos pessoais ou desconhecidos que nos contêm ou nos rodeiam", assim descreve António Preto, diretor da Casa do Cinema Manoel de Oliveira (CCMO), a essência da ação "amadora" da belga que se radicou em França, aí deixando a sua pegada artística. O texto intitula-se, muito adequadamente, Elogio da Curiosidade, e está no livro Agnès Varda: Luz e Sombra, um belíssimo volume bilingue que acompanha a exposição patente no Porto até janeiro de 2023.

Acrescentar-se-ia apenas, na ideia relativa aos objetos, as pessoas. Varda definiu-se como uma cineasta do amor pelas "pessoas reais" (expressão da própria). Algo que se observa de modo exemplar na sua segunda longa-metragem, Duas Horas na Vida de uma Mulher (1962), quando a atriz Corinne Marchand, depois de uma sessão de tarot que lhe lança um prenúncio de morte, atravessa as ruas de Paris como um corpo de graciosidade angustiada que se mistura com os transeuntes - Varda filma a deambulação desta figura elegante e triste captando a espontaneidade nos rostos dos homens e mulheres que olham para ela e diretamente para a câmara. É a ficção feita documentário. Um dos filmes que integra a retrospetiva da obra da realizadora, a arrancar amanhã no Auditório da CCMO, com sessões todos os domingos, até 11 de dezembro.

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