7 Dias 7 Propostas pelo escritor Pedro Beltrão

1. Lisboa
Castelo de São Jorge
Miradouro de Santa Luzia
Sé de Lisboa
Domingo, 27 de junho

Vamos aproveitar para sair de casa. Estamos no verão, a natureza chama-nos. Organizei um conjunto de programas privilegiando o ar livre, o sair para fora da cidade. Livros para ler e filmes, que se possam ver na TV, são para as horas mortas desses sete dias e para descansar depois dos programas um pouco violentos e algo cheios, que vos passo a propor:
Vá direto ao Castelo de São Jorge e percorra as muralhas subindo às torres e apreciando a melhor vista da cidade de Lisboa, em 360 graus. Vai encontrar algumas sombras com bancos para descansar um pouco. Sente-se e feche os olhos; talvez consiga imaginar D. Afonso Henriques e os seus soldados trepando os muros e conquistando o castelo, bem como Martim Moniz a ser esmagado contra a porta para permitir aos portugueses a entrada.
A seguir, vá descendo pelas ruelas mais estreitas de Alfama, até ao miradouro de Santa Luzia, o mais romântico da cidade.
Almoce por ali, umas sardinhas assadas ou um cozido à portuguesa. Depois, para esmoer, continue a descer e entre na Sé, aprecie o maravilhoso templo de um românico tardio, quase gótico. Não se esqueça de visitar o museu de arte sacra e a pequena mas bem arranjada biblioteca.

2. Sintra
Convento dos Capuchos
São Pedro de Penaferrim
Segunda, 28 de junho

Visita ao Convento dos Capuchos na serra de Sintra. Preste atenção, porque a sinalização da estrada não é perfeita.
Insista numa visita guiada.
Naquele ambiente de pobreza e provação extremas, de desprendimento do mundo que roça o medo, vai certamente sentir um frémito de admiração pelos monges que largavam a sua vida para se refugiarem naquele ermo. Nós, que temos quase tudo, que nos alimentamos diariamente e que exigimos o maior conforto possível, teremos obrigatoriamente de sentir uma pequenez ao pé da ascese e da pobreza com que ali se vivia.
Almoce num restaurante em São Pedro de Penaferrim, dando primazia ao bacalhau assado, e dê uma volta a pé pelo meio do arvoredo da serra, seguindo um trilho, mas com cuidado para não se perder. Vai ficar admirado/a com a altura das árvores entremeadas com os enormes blocos de granito.

3. Lisboa
Feira da Ladra
Campo de Santa Clara
Igreja de São Vicente de Fora
Terça, 29 de junho

Começamos com a Feira da Ladra, no campo de Santa Clara. Vá de elétrico, na carreira 15, que passa rasando as casas por ruas estreitíssimas. Pode apanhá-lo na Baixa, no Camões, ou no Largo da Estrela, apeando-se defronte da grande Igreja de São Vicente de Fora.
Dê preferência aos stands de velharias e aos de cobres, onde ainda se pode encontrar uma ou outra pechincha. Se houver apertos, guarde bem a sua carteira, não se esqueça do nome da feira.
Os restaurantes do largo da feira não são grande coisa, se quiser comer bem tem de procurar nas redondezas.
Da parte da tarde visite o Convento de São Vicente de Fora, com visita guiada. É a maior concentração de azulejos temáticos do mundo. Aprecie a coleção de azulejos das fábulas de La Fontaine, encomendada por D. João V e uma parte das fundações do edifício ainda da construção henriquina.

4. Tejo
Passeio Hippotrip
Veleiro no Tejo
Maat
Mosteiro dos Jerónimos
Quarta, 30 de junho

Passeio no Tejo. Aconselho o Hippotrip, cerca de uma hora, ou, mais sofisticado, um veleiro, com passeios que vão até três horas. Desfrute do silêncio, da beleza das margens do rio e da calmaria das águas.
Depois de almoçar umas amêijoas à bulhão pato e um peixe grelhado, num dos restaurantes do cais de Alcântara, visite o MAAT, Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia e suba ao fantástico terraço com um traçado elíptico, com boa vista sobre o rio.
Se ainda tiver tempo, dê um salto ao belíssimo claustro do Mosteiro dos Jerónimos, que a partir das 16h00 já não tem fila para entrar.

5. Lisboa
Escola Portuguesa de Arte Esquestre
Museu dos Coches
Palácio da Ajuda
Quinta, 1 de julho

Comece pelo Museu dos Coches, que se visita numa hora, apreciando o pormenor das ricas carruagens que D. João V mandou ao Papa.
Depois suba um pouco da Calçada da Ajuda e vá ver, a partir das 11h00 o treino da Escola Portuguesa de Arte Equestre. Convém telefonar para 219237300 para ter a certeza de que há espetáculo. Trata-se somente de treinos, mas vale a pena assistir.
Suba lentamente a Calçada da Ajuda, onde vai encontrar vários restaurantes bastante razoáveis, sugiro um bife com batatas fritas e ovo a cavalo.
Chegará ao Palácio da Ajuda para uma visita prolongada, com ênfase no novo espaço do Tesouro Real, que abrirá brevemente.

6.Sintra
Casa Piriquita
Palácio da Vila
Parque Valenças
Sexta, 2 de julho

Vamos novamente para Sintra para visitar o Palácio da Vila. Visita guiada prolongada. A lenda da Sala das Pegas, a Sala dos Cisnes, as cozinhas e a varanda onde Camões leu Os Lusíadas a D. Sebastião, são um must a não perder.
Não se esqueça de ir comer um bolo, de preferência um travesseiro morno, à Piriquita, ali a dois passos.
Dê uma volta em Sintra, passeando da vila até à Estefânia pelo chamado Arraçário, entrando no Parque Valenças, se ainda tiver pernas, onde encontrará uma variedade impressionante de flora; dizem que há 410 espécies diferentes de plantas.

7. São João das Lampas
Vila romana de Odrinhas
Capela de São Mamede
Sábado, 3 de julho

Outra vez para os lados de Sintra, proponho o museu da vila romana de Odrinhas (São João das Lampas), a cerca de oito quilómetros da vila. Peça uma visita guiada e perceba porque é que os saloios daquela zona eram mais cultos do que os restantes. A vila romana, onde viviam umas dezenas de romanos, empregava algumas centenas de habitantes das redondezas, que se latinizaram, pois aprendiam uma profissão, com avançada tecnologia para a época, e ficavam conhecendo os rudimentos de latim. Eram praticantes de pedreiros, hortelões, oleiros, cozinheiros e de outros mesteres.
Depois de almoçar num dos ótimos restaurantes da zona, privilegiando o cabrito assado ou o leitão de Negrais, faça uma curta visita à curiosa capela redonda de São Mamede, em Janas (terá de previamente enviar mail para parmindoreis @gmail.com a marcar) Poderá visitar a cave com um cemitério pré-histórico) A capela foi construída no século XVI sobre ruínas romanas e pré-romanas. Certamente que ao chegar ao fim desta semana aumentou a sua cultura e apanhou bom ar.

Escolhas e sugestões do escritor Pedro Beltrão

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