Sabres de luz feitos de slime que brilham no escuro. Fotografias com o dróide R2-D2. Sessões de autógrafos com cineastas que trabalharam nos filmes originais de A Guerra das Estrelas. Bolachas à moda dos Wookiees. A celebração do 40.º aniversário do filme O Regresso de Jedi, que foi lançado nos cinemas a 25 de maio de 1983, transformou o Museu da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, em Los Angeles, numa gigante aventura galática para os fãs de Star Wars..O Museu, que existe há apenas ano e meio, trouxe o filme de regresso à sua sala de cinema e concebeu diversas atividades relacionadas com o mundo criado por George Lucas. A ideia é ir ao encontro do que os fãs têm pedido ao braço museológico da Academia.."Estamos a dar ao público aquilo que nos têm pedido, que é uma conexão real com os cineastas, com a arte e a magia do cinema, e como podemos tornar isso acessível", disse ao DN Amy Homma, diretora de audiência e responsável pela programação do Museu. Maio é o mês Star Wars, com a trilogia inicial a ser lançada em maio de 1977, 1980 e 1983, e 4 de maio ("May the Fourth") a ser uma espécie de dia oficial. "Pensámos que não haveria melhor forma de celebrar do que com o R2-D2, o filme na nossa sala de cinema, atividades artísticas e autógrafos.".O Regresso de Jedi foi, durante muitos anos, considerado o desfecho da trilogia e um dos filmes mais bem-sucedidos de todos os tempos. Quarenta anos depois da estreia, a máquina galática da Lucasfilm continua em pleno funcionamento e com uma fonte quase inesgotável de conteúdos, algo que poucos poderiam prever em 1983. Terminou recentemente a terceira temporada de The Mandalorian, está a promover a série Andor de 2022 para os prémios Emmy, prepara-se para estrear o spin-off Ahsoka em agosto e tem três filmes Star Wars planeados até 2027.."É a mitologia por detrás", disse ao DN Lee Brainerd, uma professora septuagenária que foi ao Museu celebrar o seu amor pela saga espacial. "Luke Skywalker é um jovem que está a amadurecer e tem um caminho a seguir para aprender sobre a vida, os altos e baixos, as tragédias, e todas essas coisas são universais", considerou. Brainerd viu o primeiro filme Star Wars em 1977 numa sala em Nova Iorque e ficou deslumbrada. "Saímos do cinema e eu disse: isto é o princípio de algo que vai mudar tudo", recordou. "Os guiões não eram assim tão bons no início. Mas não havia nada que se parecesse com isto.".Passou a paixão aos filhos. Um deles, Andrew Racine, acompanhava-a no Museu e recordou que quando era bebé a mãe punha a banda sonora de Star Wars a tocar. Já o tinha feito quando estava grávida. "Os meus filhos cresceram com isto", anuiu Brainerd. "É sempre interessante ver que cada geração tem a sua Guerra das Estrelas", comentou Racine. "Vai durar mais que nós.".É por isso que os fãs que foram ao Museu vivenciar as experiências oscilaram dos 8 aos 80 anos. Havia pais com filhos pequenos vestidos de Stormtroopers ou Darth Vader. Havia jovens com os avós carregando um Grogu (conhecido como baby Yoda) nos braços. Havia homens de barba rija vestidos de Jedi e mulheres encarnando a Princesa Leia ou a rainha Padmé Amidala..Shamira Clark foi uma delas, envergando o vestido esvoaçante que Amidala (Natalie Portman) usou no Episódio II, Ataque dos Clones (2002). "Isto é um dos eventos mais loucos do ano", disse Clark, que trabalha no Museu. "Toda a gente está vestida a rigor e eles deixaram os funcionários fazer o mesmo, e eu não podia deixar passar a oportunidade.".No piso principal do Museu, os fãs puderam tirar fotografias com um R2-D2 autêntico e funcional, que "falava" em código e tinha um parceiro como tradutor. Mas num dos pisos superiores está agora em exposição permanente o dróide original usado pelo ator Kenny Baker, feito de madeira, metal, plástico e fibra de vidro. Os fãs que forem ao Museu vão também poder apreciar o fato usado pelo ator Anthony Daniels para dar vida ao dróide C-3PO entre 1980 e 2005, um artefacto com detalhes notáveis feito de fibra de vidro, plástico, metal e borracha.."O objetivo é proporcionar diversão. Queremos que as pessoas nos visitem e regressem e vejam o Museu da Academia como um espaço onde podem levar os filhos ou os avós", disse Amy Homma..A programação em torno dos 40 anos de O Regresso de Jedi teve um grande foco nas crianças, algo que Homma disse ir ao encontro dos objetivos educativos da instituição. "Os estudantes do ensino básico têm uma conexão imediata ao R2-D2 e mesmo que não tenham visto os filmes há desenhos animados, há curtas, é um personagem tão reconhecível e não é preciso explicar muito sobre ele", disse. O dróide passeou-se entre os visitantes e foi usado pelos educadores em sessões com crianças. "Temos muitos objetos no museu, mas poder trazê-los à vida é algo que espero que os miúdos se lembrem durante muitos anos", afirmou Homma..A diretora também explicou o conceito do estúdio de atividades artísticas, com os visitantes a fazerem sabres de luz que brilham no escuro, dróides feitos de objetos usados, botões coloridos e personagens em cartão. "Esperamos que os alunos aprendam um pouco sobre animação, sobre o desenho de personagens, a intenção dos cineastas. Queríamos trazer a magia aos estudantes", referiu Amy Homma..No restaurante Fanny"s, o menu ganhou itens especiais como um Han-burger (inspirado em Han Solo), Pipocas do Imperador ou o Chá Boba Fett. "Queremos que o museu seja um espaço onde os fãs sintam que se podem ligar a outros fãs e aos seus filmes", reiterou a diretora..Na mesa de autógrafos, sentou-se o editor de vários filmes Star Wars Paul Hirsch, que ganhou um Óscar pelo episódio original Uma Nova Esperança e escreveu o livro A Long Time Ago in a Cutting Room Far, Far Away; e Howard Kazanjian, produtor de O Império Contra-Ataca e O Regresso de Jedi.."Queremos criar experiência memoráveis aqui", disse Amy Homma, refletindo sobre o legado duradouro desta novela espacial que começou há quase 46 anos. "É geracional. O mundo da fantasia, do escapismo, o heroísmo toca-nos em criança e fica connosco na idade adulta", disse. "E depois queremos apresentá-lo à próxima geração.".dnot@dn.pt