Bel Powley: "Posso ser humilde e ambiciosa ao mesmo tempo"

Mais uma novidade nos clubes de vídeo das operadoras que não vimos nos cinemas, Carrie Pilby, de Susan Johnson, a história de uma adolescente na passagem para a maturidade. Bel Powley, a protagonista, falou com o DN no Festival de Toronto.

Um bestseller para jovens adultos transforma-se numa comédia romântica neurótica fofinha. Susan Johnson adapta o romance de Caren Lissner como se fosse um manual para entreter jovens adolescentes. O filme esteve no TIFF de Toronto e foi adquirido para Portugal acabando depois por ficar na gaveta. Agora está finalmente disponível nos clubes de vídeo das operadoras e tem Bel Powley, Nathan Lane e o veterano Gabriel Byrne no elenco.

A história narra as atribulações de uma jovem prodígio que sai de Harvard aos 18 anos e vê-se numa crise de identidade na cidade de Nova Iorque. Carrie lê compulsivamente, vive sozinha, não tem amigos e falta-lhe a aptidão social para conhecer novos amigos. A sua vida pode começar a mudar quando o seu psiquiatra lhe pede para colocar em post-its objetivos de comportamento. Isso, um novo vizinho e um emprego arranjado pelo pai podem ser a pedra-de-toque para a passagem definitiva para a maioridade.

Filmado como se fosse um produto de matiné caseira, Carrie Pilby brinca com os clichés da neurose feminina no "coming-of-age". Fala de sexo, responsabilidades e solidão em tópicos que tentam ser geridos numa enésima versão da Nova Iorque de Woody Allen. Acima de tudo, é um veículo para alavancar no mercado de Hollywood a jovem Bel Powley, conhecida sobretudo de O Diário de uma Rapariga Adolescente, de Marielle Heller. A atriz londrina falou em exclusivo para o DN e começou por revelar que é mesmo um acaso estar a representar jovens adolescentes quando tem 28 anos: "acima de tudo, acho óptimo que se aposte em filmes com histórias de raparigas. Penso que a sociedade tem medo das jovens e das adolescentes! Estes retratos realistas do que é ser uma jovem com 18 anos assusta muita gente. As pessoas sentem-se mais confortáveis quando os filmes apenas mostram a rapariga assanhada e sexy,

enfim, colocar tudo em caixas estereotipadas... Precisamos de mais filmes com personagens verdadeiramente multifacetadas!".

Com um sotaque "posh" muito britânico, garante que não tem a inocência da sua personagem: "já fui mais idealista. Por exemplo, gostava de política, embora tenha perdido esse impulso. Sabe, a culpa é um pouco do Brexit. Fiquei muito perturbada. Como londrina nunca imaginei que o resto do país fosse votar na nossa saída...Cresci num ambiente multicultural e ver essa decisão constituiu uma surpresa esmagadora. Amo a minha cidade, não sou nada como aquelas atrizes inglesas que chega ao cinema americano e quer logo mudar-se para Los Angeles. Meu Deus, não!! O melhor da minha vida é poder estar sempre a viajar, isso adoro. Por exemplo, o Carrie Pilby obrigou-me a viver em Nova Iorque durante 3 meses, o que foi óptimo mas quando pude regressar a casa fiquei muito feliz ".

Depois de Carrie Pilby, já a vimos em Mary Shelley, ao lado de Elle Fanning e na premiada série Morning Show, ao lado de Jennifer Aniston e Steve Carrel. Para o futuro, diz querer continuar a representar personagens verdadeiras: "se puder escolher - e não posso, estamos sempre dependentes daquilo que nos surge - gostaria de continuar a representar algo mais do que a namorada da personagem masculina...Mas a beleza deste mundo do cinema é poder representar qualquer papel! Não sei o que me vai continuar a calhar. A sensação é estranha mas também entusiasmante! Claro que não sou muito exigente, apenas aspiro a projetos com um bom cineasta e um bom guião. Estou um pouco farta de me proporem filmes de época, gostava de fazer algo mais contemporâneo. Em todo o caso, devo referir que sou uma atriz ambiciosa, tal como todas as outras". Afinal, uma atriz em Hollywood hoje deve ser ambiciosa ou humilde? "Posso ser humilde e ambiciosa ao mesmo tempo", responde com um sorriso traquinas.

Se quisermos, Carrie Pilby tenta ser uma versão mais "teen" de O Diário de Bridget Jones, mesmo quando não aposta tanto na fórmula do humor imediato e vai antes para o registo ligeiro da comédia romântica. Bel Powley é honesta e singularmente real no meio de tudo isto. É ela quem carrega o filme às costas. Quando a pandemia passar, vamos poder vê-la no muito aguardado regresso de Judd Apatow em The King of Staten Island. Uma atriz que não vai desaparecer tão cedo do radar.

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