Em discurso de abertura na Grande Conferência do DN, Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud, sublinhou a importância do jornalismo para a democracia e do multilateralismo na saúde. Os temas da conferência dialogam também com a missão da fundação."Poderão alguns pensar: mas o que tem a investigação biomédica a ver com os importantes assuntos que vão ser aqui hoje discutidos? Eu posso responder, e a melhor resposta é que tem tudo. Desde logo, investigar, gerar conhecimento e desenvolver novos tratamentos para as doenças custa muito dinheiro e só pode ser feito se existirem os meios necessários", afirmou.Para tal, é preciso investimento. "E também pode gerar riqueza: riqueza resultante do bem-estar e da saúde das pessoas, riqueza resultante da inovação e da forma como esta é valorizada pelos mercados e, já agora, também pelos governos. Uma sociedade desenvolvida e próspera investe recursos na investigação. O resultado da investigação é um motor de desenvolvimento e de riqueza", vincou. "Também por isso, estamos aqui profundamente interessados nos assuntos e nas discussões que nos vão ocupar hoje", acrescentou.Leonor Beleza destacou ainda o pioneirismo da fundação, recorrendo a um exemplo. O Serviço Nacional de Saúde britânico está a anunciar um tratamento para o cancro da próstata realizado em cinco sessões, em vez de 20. "Ora, nós aqui, há mais de dez anos, começámos a fazer uma substituição desse género: muitas sessões de radioterapia passaram, em muitos casos, a ser concentradas numa única sessão", exemplificou. "Já beneficiaram deste tratamento muitos doentes estrangeiros e muitos doentes portugueses", assinalou."Diferentes formações e diferentes culturas, trabalhando em conjunto, produzem contributos mais diversificados e são muito mais eficazes"A presidente da Fundação Champalimaud não deixou de destacar o caráter multicultural da instituição. Isso é visível logo à entrada do edifício, onde estão hasteadas as bandeiras das várias nacionalidades representadas entre os profissionais da fundação. "Porque mostramos estas bandeiras? Porque nos orgulhamos deste caráter multinacional dos nossos médicos e investigadores", vincou.Para a antiga deputada, "a ciência não tem nem deve ter fronteiras". Na sua perspetiva, esta diversidade é uma mais-valia. "Diferentes formações e diferentes culturas, trabalhando em conjunto, produzem contributos mais diversificados e são muito mais eficazes", afirmou.Leonor Beleza vê também esta vantagem na geopolítica. "Se cidadãos de países diferentes trabalham em conjunto e descobrem formas de preservar, defender e recuperar a saúde das pessoas, não só terão mais sucesso no seu trabalho e nas suas descobertas, como também influenciarão os seus países para que a colaboração entre nações se fortaleça e, por essa via, contribua para uma paz mais duradoura no mundo. Porque é através da colaboração e do trabalho conjunto que se constrói a paz", concluiu..Acompanhe aqui a Grande Conferência DN. "O PS está preso ao passado" na imigração, diz Leitão Amaro