"Há uma desconfiança sobre as grandes empresas. Quem tiver uma que seja um pouco acima da média é considerado um bandido em Portugal"
Gerardo Santos

"Há uma desconfiança sobre as grandes empresas. Quem tiver uma que seja um pouco acima da média é considerado um bandido em Portugal"

Empresários defendem que as organizações de maior escala são vitais para alimentar economia nacional, mas lamentam elevada fiscalidade e discriminação. "Há uma desconfiança sobre as grandes empresas, quando são as que pagam maiores salários e têm maior capacidade para inovar".
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As empresas portuguesas precisam de dimensão para competir quer a nível europeu quer num espectro global, mas há ainda vários entraves quando a tónica recai sobre a dimensão do tecido empresarial nacional.

"Há uma desconfiança sobre as grandes empresas, quando são as que pagam maiores salários e têm maior capacidade para inovar", defendeu esta segunda-feira, 15, o CEO do grupo José de Mello, Salvador Mello, na Grande Conferência DN, que decorre na Fundação Champalimaud, em Lisboa.

Durante a sua intervenção no painel "A economia portuguesa em 2026", o empresário que lidera o grupo que detém empresas como a Brisa, a Bondalti ou a CUF, apontou a fiscalidade como um dos maiores desincentivos ao crescimento das organizações no país.

Em matéria de impostos, Marco Galinha afinou pelo mesmo diapasão. "O que é que pode facilitar a fiscalidade? Saiam da frente e deixem os empresários gerar riqueza", pediu o presidente do grupo Bel.

"Ter sucesso em Portugal é muito difícil, é como ir em contramão na autoestrada de Lisboa ao Porto", lamentou ainda.

O também acionista da Global Media, que detém o DN, concordou que a dimensão de uma empresa é vital para dinamizar a cadeia económica. "Há uma necessidade de termos dimensão par combater lá fora, caso contrário somos extintos. Se desaparecessem as grandes empresas em Portugal, desapareceriam muitas pequenas e médias empresas", alertou.

Já o presidente e fundador do grupo hoteleiro Vila Galé apontou para um obstáculo de mentalidades. "Quem tiver uma empresa um bocadinho acima da média já é considerado um bandido. Temos um país que vive com inveja entranhada, se uma empresa cresce muito é para mandar abaixo", exemplificou.

Jorge Rebelo de Almeida criticou ainda elevada carga burocrática que se apresenta como a pedra no sapato dos empresários. "Quando alguém tem uma ideia de simplificação de algum procedimento, há sempre três ou quatro palermas que vêm estragar isso", acusou.

Ainda no território da análise à dimensão da malha empresarial nacional, administradora executiva da CGD, Ana Carvalho, relembrou que a sobrevivência de muitas PME's é sustentada nas organizações de maior estrutura e criticou os apoios dirigidos a este segmento uma vez que se manifesta num desincentivo ao crescimento.

"Há incentivos que só se aplicam às PME e muitas das empresas não querem subir o volume de negócios porque, caso contrário, perdem estes apoios", sustentou.

Para a administradora as operações de fusão e aquisição (M&A) são estruturais e uma boa via para rejuvenescer as equipas de gestão das organizações de menor escala.

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