O painel "O mundo em 2026".
O painel "O mundo em 2026".Foto: Gerardo Santos

Grande Conferência DN: "Não é um acordo de paz, é um cessar-fogo, um calendário e uma agenda para futuras negociações"

No primeiro painel da conferência, dedicado ao Mundo em 2026, dois ex-ministros dos Negócios Estrangeiros, um historiador e uma especialista em Defesa e Segurança analisam a notícia do acordo de paz entre EUA e Irão.
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O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros António Martins da Cruz disse esta segunda-feira, 15 de junho, na Grande Conferência do DN, que o acordo entre EUA e Irão "não é um acordo de paz, é um cessar-fogo, um calendário e uma agenda para futuras negociações".

Martins da Cruz participa com outro antigo chefe da diplomacia, Luis Amado, o historiador Jaime Nogueira Pinto e a especialista em Defesa e Segurança, Ana Miguel dos Santos, no painel "O Mundo em 2026" da Grande Conferência do DN que decorre na Fundação Champalimaud. O painel é moderado pelo diretor adjunto do DN, Leonídio Paulo Ferreira.

O "pessimista antropológico" Jaime Nogueira Pinto disse estar "relativamente otimista" em relação ao acordo, porque acredita que o presidente dos EUA, Donald Trump, "já percebeu que o meteram num grande buraco". Ainda assim, lembra que Trump "anunciou as linhas sobre um acordo", mas "os problemas de fundo ficam".

Martins da Cruz enumerou os quatro pontos que ainda ficam por discutir: qual vai ser o estatuto do Estreito de Ormuz, o que vai suceder às sanções a que o Irão está sujeito (não só dos EUA, mas também dos países europeus), o que vai suceder ao nuclear iraniano (não só o urânio enriquecido que já tem, mas se vai ou não desenvolver - ou comprar - uma arma) e a situação no Líbano, complicada porque implica Israel.

Segundo o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, "este acordo vem demonstrar que os ciclos eleitorais e as preocupações económicas podem condicionar a política externa" e que "a reconfiguração ou redesenho da situação no Médio Oriente" não vai acontecer por causa destas negociações, porque o Irão radicalizou-se e não sabemos qual vai ser o papel dos EUA, da China ou outras potências na região.

Martins da Cruz mostrou-se "moderadamente otimista" em relação ao acordo, defendendo que a União Europeia "tem que procurar encontrar os pontos em que pode ser útil", já que "está mais uma vez a assistir do balcão".

Ana Miguel dos Santos, apesar de também "otimista", lembra que o anúncio é, basicamente, uma porta de entrada para resolver um problema que o próprio conflito criou: o Estreito de Ormuz - que considera teve "um impacto mais significativo do que uma bomba nuclear".

"A nossa dependência e a nossa conexão mostra a nossa vulnerabilidade", tendo o Irão percebido isso e aproveitado para usar como arma nas negociações.

A especialista em Defesa e Segurança defende que a "velocidade" das decisões se tornou num factor chave. "Aquilo que de manhã era, à tarde já não é", explicou, lembrando que Trump também torna tudo mais difícil. "Temos que nos adaptar rapidamente à velocidade e ao tempo", explica, falando que este é "o ativo estratégico mais importante".

(Em atualização)

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