Como aumentar o número de mulheres no setor tecnológico? Pelo exemplo.

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Em pleno século XXI, o número de mulheres numa das áreas mais importantes do mercado de trabalho da atualidade, a tecnologia, teima em permanecer reduzido. Podiam existir muitas mais, pois o número ainda não é significativo e alcançar um maior equilíbrio de género no setor tecnológico deveria de ser um dos grandes objetivos. No entanto, muitas são as raparigas que crescem fortemente condicionadas pelos estereótipos de género que a sociedade ainda promove, levando a que não sigam a sua verdadeira vocação ou vontade.

Segundo dados do Eurostat, em Portugal, apenas 14,4% dos profissionais na área de Tecnologias de Informação é mulher, número que está abaixo da média europeia. É importante mudar a visão, generalizada e fortemente enraizada, que esta área não é suficientemente apelativa para as mulheres, começando pela base, ou seja, a importância da educação, desde cedo e mudando o mindset da importância do contributo feminino neste setor. A tecnologia não é um lugar para mulheres? A tecnologia não pode ser inclusiva se não for desenvolvida com e por mulheres. É importante construir as bases para que, cada vez mais mulheres, sintam o apelo de seguir e trabalhar no setor tecnológico, uma área que ainda tem, mesmo aos dias de hoje, uma enorme sub-representação feminina.

Em Portugal, 54% das mulheres que se matricularam no Ensino Superior em 2020, 43% enveredou pela área das Ciências, Matemática e Informática, 28% em Engenharia, mas apenas 12% escolheram e seguiram Engenharia Tecnológica (dados Pordata). No nosso país, dos 3,6% dos especialistas em TIC, apenas 0,7% são mulheres - de acordo com dados do Eurostat -, o que significa que, apesar de Portugal apresentar números acima da média europeia, com mais mulheres nas áreas das STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) - com a ciência a capitalizar uma grande percentagem - mas muito inferiores em outras e na tecnologia em particular.

Um dos fatores que tem um papel importante na atração de mais mulheres para a tecnologia, é a existência de modelos que sirvam como exemplo. Liderar pelo exemplo sempre foi uma poderosa ferramenta de motivação, acréscimo de valor e de fazer a diferença. E a tecnologia não é exceção. Estamos, neste momento, perante o grande desafio e oportunidade de aumentar a representatividade das mulheres no mundo da tecnologia, mostrando que a mesma não tem de ser cinzenta e aborrecida e de haver, cada vez mais, mulheres a fazerem uma escolha consciente e a descobrir a oportunidade de terem carreira no setor tecnológico. Esta representatividade é fundamental em todas as áreas da sociedade e não apenas na tecnologia, sendo que já existem diversas formas em vigor para garantir a inclusão de mais mulheres em lugares de destaque e estratégicos.

Exemplo disso, no Parlamento e nos Conselhos de Administração, a quota de mulheres em 2013 era de 8%, tendo o número subido e estagnado para 12% nos anos de 2016 e 2017, tendo, em 2020, subido para 19,5%, segundo dados do Conselho da União Europeia.

No último ano, de acordo com o Banco Mundial, Portugal destacou-se entre os 10 países que obtiveram pontuação máxima no índice "Mulheres, Negócios e Lei", num total de 190 países analisados, tendo alcançado a melhor pontuação possível em todas as avaliações nos vários setores: mobilidade, local de trabalho, salário, casamento, parentalidade, empreendedorismo, ativos e pensões. A diversidade de género é maior nas empresas lideradas por mulheres - segundo estudo da Informa DB - onde 77% das mulheres lideram equipas mistas, face a 40% dos homens.

Acredito que todas as vertentes da diversidade contribuem positivamente para a riqueza de uma organização, não apenas pelo lado mais humano da sua composição, mas também, pelo reflexo que ela tem na própria operação.

Existem quatro áreas em que uma organização mais diversa sairá, seguramente, a ganhar: a Liderança, proporcionando pensamento e inovação mais diversificados. O Talento, expandindo a reserva de talentos conseguir-se-á impulsionar a inovação e o crescimento futuro. Os Clientes, assegurando um serviço mais adequado e a perceção para chegar, cada vez mais, a clientes mais diversificados e, por fim, os Investidores, porque organizações mais diversas têm um maior desempenho, assegurando um menor risco.

A diversidade de backgrounds, de educação, idade, raça, etnia, orientação sexual, entre muitos outros, deverá ser transversal a todas as empresas, áreas e setores, porque é profundamente enriquecedor.

O setor tecnológico, por ser nevrálgico e central para tantos outros setores, é absolutamente crítico, para esta diversidade. E um futuro mais diverso, será seguramente, um futuro mais justo.

Managing Director, Country Head of Portugal iCapital

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