Sonda da NASA colidiu com asteroide para o desviar da Terra

Colisão aconteceu às 0:14 desta terça-feira (hora de Lisboa), exatamente como previsto. Inovador teste de "defesa planetária" que deverá proteger melhor a Terra de uma possível ameaça futura.

Esta terça-feira arrancou com um feto inédito na história da humanidade: a NASA utilizou uma sonda para colidir com um asteroide e desviar-lhe a trajetória, num inovador teste de "defesa planetária" que deverá proteger melhor a Terra de uma possível ameaça futura.

"Impacto confirmado na primeira missão de teste de defesa planetária do mundo", podia ver-se na transmissão ao vivo da agência espacial, enquanto engenheiros e cientistas espaciais aplaudiam o feito no interior de uma sala.

O asteroide alvo deste teste não representa nenhum risco para o planeta, mas a missão, denominada DART, vai ajudar a determinar a resposta da NASA se for detetado um asteroide que ameace colidir com a Terra no futuro, de acordo com o líder da agência espacial, Bill Nelson.

O momento do impacto, a 11 milhões de quilómetros da Terra, foi acompanhado ao vivo no canal da NASA no YouTube por milhares de pessoas.

A sonda, que não é maior do que um carro, descolou em novembro da Califórnia, nos Estado Unidos, e cumpriu o seu objetivo esta madrugada a uma velocidade superior aos 20 mil quilómetros por hora.

"Estamos a mudar o movimento de um corpo celeste natural no espaço. A humanidade nunca o havia feito antes", afirmou Tom Statler, cientista-chefe da missão. "É tirado dos livros de ficção científica e dos episódios da Star Trek - Caminho das Estrelas, de quando eu era criança. E agora é real", frisou, antes da colisão.

Na realidade, o alvo foi um par de asteroides: um maior, o Didymos (de 780 metros de diâmetro) e o seu satélite, Dimorphos (de 160 metros de diâmetro), que gira em volta do primeiro.

Foi contra o pequeno, Dimorphos, que a sonda colidiu. Este asteroide gira em torno do maior numa órbita que demora 11 horas e 55 minutos. O objetivo é reduzi-la dez minutos, uma alteração que poderá ser medida com telescópios na Terra, de onde será possível observar a variação do brilho, quando o asteroide menor passar à frente do maior.

Para saber se o objetivo será cumprido serão necessários "poucos dias". "Ficaria surpreendido se levasse mais de três semanas", assegurou Statler.

A sonda que colidiu com o asteroide levou uma câmara chamada DRACO que captou uma imagem por segundo. Cada imagem chegou à Terra com um atraso de apenas 45 segundos.

Para atingir um alvo tão pequeno, a sonda dirigiu-se de forma autónoma durante as últimas quatro horas, como se de um míssil teleguiado se tratasse.

As aproximadamente quarenta pessoas presentes na sala de controlo do Laboratório de Física Aplicada (APL), da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, estavam prontas para intervir se fosse necessário.

O evento também foi observado pelos telescópios espaciais Hubble e James Webb.

Tudo isso deverá permitir compreender melhor a composição de Dimorphos, representativo de uma população de asteroides bastante comuns e, portanto, medir o efeito que esta técnica, denominada de impacto cinético, pode ter sobre eles.

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