Exclusivo Sob as águas das Bermudas, frente à "boca negra do Inferno"

Expressões como naturalista, ornitólogo, explorador cabem na biografia de um norte-americano que, por sete décadas, marcou o estudo das ciências naturais. Em 1930, William Beebe tornou-se o primeiro biólogo a descer às profundezas marinhas. Fê-lo numa batisfera e documentou-o para a posteridade.

Desde o início da história humana, quando os fenícios ousaram navegar em mar aberto, milhares e milhares de seres humanos haviam alcançado a profundidade a que estávamos agora suspensos e viajado para níveis inferiores. Mas todos eles estavam mortos, vítimas afogadas da guerra, tempestades ou outros atos de Deus". As palavras fluem num artigo de 1 de junho de 1931 publicado nas páginas da revista norte-americana National Geographic. Noventa anos volvidos, a peça pode ser lida online a partir da pesquisa dos termos: "Bolted inside a steel sphere".

Entre as fotos que ilustram a narrativa, assome o rosto magro e tisnado de um mergulhador de olhar fixo sob a proteção de uma escotilha. O vidro, com perto de 3 cm de grossura, delimitava a fronteira entre o homem e uma pressão subaquática superlativa. Cada 10 cm2 da esfera de aço que descia nas águas atlânticas profundas ao largo das Bermudas, submetiam-se a uma pressão igual a 300 kg. O mergulhador era também o autor da já referida reportagem. Intitulou-a "Viagem de Ida e Volta ao Baú de Davy Jones" (no original, "A Round Trip to Davy Jones"s Locker"), numa alusão ao pirata do século XVIII, misto de história e lenda, capaz de atrair tempestades e outros perigos sobre navios e marinheiros. Quanto ao baú, é objeto alegórico do fundo dos oceanos, território de marinheiros afogados, de morte, mas também de esperança.

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