O enorme foguetão SLS - o mais potente de sempre da NASA - com a cápsula Orion em movimento para a rampa de lançamento.
O enorme foguetão SLS - o mais potente de sempre da NASA - com a cápsula Orion em movimento para a rampa de lançamento.CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH / EPA

Regresso à Lua: NASA inicia transporte do foguetão da Artemis II para a rampa de lançamento

Com lançamento marcado para 6 de fevereiro, operação revela a potência do maior foguetão da NASA e os segredos da cápsula que será a casa da tripulação por dez dias.
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A NASA iniciou este sábado, 17 de janeiro, o transporte do foguetão Space Launch System (SLS) rumo ao Complexo de Lançamento 39B, no Centro Espacial Kennedy, na Florida. A movimentação prepara o veículo para a histórica missão tripulada Artemis II, rumo à Lua, cujo lançamento está oficialmente previsto para o dia 6 de fevereiro de 2026.

Este "rollout" marca a fase final de preparativos para a primeira viagem tripulada à vizinhança lunar em mais de meio século. O propulsor gigante começou a sua jornada de 6,5 quilómetros a partir do Edifício de Montagem de Veículos (VAB) logo ao início do dia, transportado pelo massivo Crawler-Transporter 2 a uma velocidade de 1,6 km/h.

O foguetão mais poderoso de sempre

O SLS (Space Launch System) é a peça central do regresso da humanidade à Lua. Embora o histórico Saturn V, que levou as missões Apollo ao nosso satélite naural, fosse ligeiramente mais alto, o SLS detém o título do foguetão mais poderoso alguma vez construído pela NASA a entrar em operação.

Possui uma potência bruta recorde: no momento da descolagem, os seus motores geram cerca de 3,9 milhões de quilogramas de impulso (39,1 milhões de Newtons), o que representa um aumento de 15% em relação ao poder do Saturn V. Com 98 metros de altura, o foguetão pesa cerca de 2,6 milhões de quilogramas quando totalmente abastecido e é capaz de impulsionar a cápsula Orion a velocidades superiores a 36.000 km/h para escapar à gravidade terrestre.

A cápsula Orion: Um "T0" para 10 dias em ambiente de alta tecnologia

No topo do propulsor situa-se a cápsula Orion, onde os quatro astronautas viverão durante a missão. Esta peça de engenharia é concebida para proteger a vida no ambiente hostil do espaço profundo.

O interior oferece cerca de 9 metros cúbicos de espaço habitável --comparável ao volume de duas carrinhas comerciais. É aqui que a tripulação terá de dormir, comer, exercitar-se e trabalhar.

A cápsula é acoplada ao Módulo de Serviço Europeu (ESM), fornecido pela Agência Espacial Europeia (ESA). É esta peça que fornece eletricidade, água, oxigénio e controlo térmico.

Essencial é também o escudo térmico, pois sem ele a cápsula explodiria no no regresso à Terra. A Orion enfrentará temperaturas de 2800°C pela fricção gerada durante a reentrada na atmosfera, pois vem a uma velocidade de quase 40.000 km/h antes do splashdown (amaragem) no Oceano Pacífico. Este escudo térmico é o maior alguma vez construído.

O administrador da NASA Jared Isaacman com a tripulação da missão Artemis II, (da esq. para a dta.) os especialistas Jeremy Hansen e Christina Koch, o piloto Victor Glover e o comandante Reid Wiseman.
O administrador da NASA Jared Isaacman com a tripulação da missão Artemis II, (da esq. para a dta.) os especialistas Jeremy Hansen e Christina Koch, o piloto Victor Glover e o comandante Reid Wiseman.CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH / EPA

Quem são os quatro astronautas?

Tudo correndo como previsto, a bordo da Orion, no dia 6 de fevereiro, estará uma tripulação diversificada:

A missão será liderada por Reid Wiseman (Comandante da NASA). É um veterano com 165 dias de experiência na ISS. O seu "número dois" é Victor Glover (piloto da NASA). Será o primeiro homem negro a viajar para além da órbita terrestre baixa. Temos depois Christina Koch (especialista de missão, NASA), que passará a ser recordista do voo feminino mais longo e a primeira mulher a viajar até à Lua. E ainda Jeremy Hansen (especialista de missão, CSA), que se tornará o primeiro canadiano a sair da órbita da Terra.

Detalhes do trajeto e as "janelas de reserva"

A missão terá uma duração de aproximadamente 10 dias. Esta missão não irá pousar na Lua, mas sim circundá-la, contornando o lado oculto da Lua a uma distância de cerca de 10.300 quilómetros da superfície.

Caso o lançamento de 6 de fevereiro seja adiado por razões meteorológicas ou técnicas, a NASA mantém oportunidades nos dias seguintes e uma janela de reserva estrutural em abril de 2026.

O que acontece a seguir

Nos próximos dias, a equipa técnica realizará um "ensaio geral" (wet dress rehearsal), abastecendo o foguetão com combustível criogénico para testar todos os sistemas antes do dia histórico.

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