OpenAI diz ter solucionado um dos "problemas do Milénio"
A OpenAI anunciou ter encontrado uma solução para um dos problemas matemáticos dos Prémios do Milénio, um conjunto de problemas por resolver compilados pelo Clay Institute em 2000 com a promessa de um prémio de um milhão de dólares. Segundo a empresa de inteligência artificial que criou o ChatGPT, cerca de dez mil agentes de IA demoraram apenas 88 horas para chegar a essa solução.
O problema matemático é conhecido pelo "problema de Navier-Stokes", um conjunto de equações criadas há quase 200 anos pelos matemáticos Claude-Louis Navier e George Gabriel Stokes para tentar expressar matematicamente o movimento de fluidos como a água ou o ar, sem garantir que todas as variantes estão consideradas nessa equação.
Desde então, matemáticos tentam provar que é possível calcular esse movimento ou, em sentido contrário, que há situações em que as equações quebram devido à velocidade dos fluidos e produzem resultados sem sentido.
Em comunicado, a OpenAI diz ter encontrado provas sobre esta última hipótese, algo que a revista especializada Science nota que seria a primeira vez que modelos de inteligência artificial conseguiriam resolver um problema matemático que ainda estava em aberto.
Anúncio de resolução trouxe polémica
Mas o caso não foi revelado sem controvérsia. Numa declaração, o professor Tristan Buckmaster da Universidade de Nova Iorque acusou a OpenAI de ter obtido informações sobre a solução para problema em que estava a trabalhar juntamente com Levent Alpöge, matemático que trabalha para Anthropic -- empresa de inteligência artificial rival da OpenAI e proprietária do modelo Claude.
Apesar de um deles trabalhar para a rival, a dupla Buckmaster e Alpöge foi uma parceria a titulo individual, tanto que usaram o Claude e o Codex, da OpenAI, para ir progredindo no desenvolvimento de uma solução.
Na declaração, apesar de dizer que não está a "acusar" de nada, Buckmaster dá a entender que a OpenAI usou parte do seu progresso para alimentar o modelo de IA avançado que acabou por chegar a esta resposta.
Numa troca de e-mails, o professor universitário questionou a OpenAI sobre se o modelo deles tinha tido acesso aos registos do uso do Codex pela dupla, não tendo obtido qualquer resposta.
Numa conferência de imprensa, o desenvolvedor da OpenAI Sebastien Bubeck admitiu que a decisão de avançarem para uma resolução do problema de Navier-Stokes esteve ligada a "rumores no Twitter de que a Anthropic tinha resolvido dois problemas do prémio Milénio".
"Então pensámos: 'Temos um modelo tão sólido. Porque não tentamos resolver também um problema do Prémio do Milénio?'", acrescentou, citado pela Revista Science.
Entretanto, após a declaração de Buckmaster, a OpenAI deu os parabéns à dupla pelo "seu notável trabalho matemático" e garantiu que não tiveram "acesso a nenhum dos seus trabalhos por qualquer meio até que estes fossem divulgados publicamente".
"Embora seja improvável, não podemos excluir a possibilidade de que dados anonimizados, derivados da utilização dos nossos produtos por parte destes investigadores, tenham contribuído para aperfeiçoar os nossos modelos", lê-se ainda.

