Exclusivo O fim do mundo de 1910 combateu-se com máscaras de gás e guarda-chuvas

1910, o cometa Halley ensaia nova aproximação à Terra. Em França, o astrónomo Camille Flammarion dá o alerta: os gases da cauda do cometa podem extinguir toda a vida no nosso planeta. A imprensa faz eco da notícia e o pânico assalta a Europa e América. Portugal não foi exceção, com direito ao Cometa da República.

Cabe aos astrónomos dar o primeiro alerta face à aproximação do cometa à Terra. Com o desenrolar das semanas, instala-se o pânico ante a previsível rota de colisão do corpo celeste com o nosso planeta. Ao aproximar-se o momento do impacto, os humanos sentem alegria, seguida de dor e delírio. Com a perda de azoto, a atmosfera encontra-se inundada de oxigénio puro. O céu explode num cataclismo de fogo à chegada do cometa. No seu conto de dezembro de 1839, The Conversation of Eiros and Chasmion (publicado em 1890 pela primeira vez em Portugal, sob o título Colloquio entre Eiros e Chasmion), o escritor Edgar Allan Poe transporta para o seu universo literário o diálogo entre dois mortos. Eiros, sucumbido ao cataclismo, explica a Chasmion, falecido dez anos antes, os porquês do fim do mundo.

À catástrofe em que Poe enredou a humanidade no conto publicado pela primeira vez na revista norte-americana Gentleman´s Magazine não era estranho o espírito da época. Quatro anos antes, de agosto a novembro de 1835, a aproximação ao planeta Terra do cometa periódico Halley suscitara temores antigos de fim do mundo. Antes, em 1831, William Miller, pregador e também oficial no exército norte-americano, previra o fim do mundo a 22 de outubro de 1844. O mesmo Miller profetizara o ano de 1840 como a data para a dissolução do Império Otomano, que sobreviveria até 1922, assim como o Mundo resistiu ao fim bíblico anunciado para o mês de outubro de 1844. O erro de cálculo de Miller ficaria conhecido como o Dia do Grande Desapontamento.

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