Exclusivo Na Europa dos anos de 1930, dois gigantes encontraram-se nos gelos do Ártico

No início da década de 1930, multiplicavam-se os voos comerciais, científicos e militares a bordo de dirigíveis. Na Europa que caminhava para a II Guerra Mundial, um voo reuniu nos céus do Pólo Norte cientistas da Alemanha, Estados Unidos e União Soviética. Os gelos do Ártico conheceram o encontro de dois gigantes, o aeróstato alemão Graf Zeppelin e o quebra-gelo soviético Malygin.

Ao empreender em 1908 um voo de resistência de 24 horas para o seu dirigível LZ 4, o conde Ferdinand von Zeppelin tinha presente a frágil saúde financeira do projeto no qual laborava desde 1874, a construção de aeróstatos dirigíveis de estrutura rígida. O oficial e inventor alemão, nascido em 1838, fizera do seu nome sinónimo de aeronaves propulsionadas por motor próprio. No início do século XIX, nomes como o francês Henri Giffard e o brasileiro Santos Dumont, povoavam os céus com aeronaves de estruturas flexíveis, alimentadas a hélio ou hidrogénio. Nenhum levou a era dos dirigíveis às conquistas de Ferdinand von Zeppelin. Em julho de 1900, Zeppelin fazia o voo inaugural do LZ 1, nas margens do lago Constança, na fronteira da Alemanha, Áustria e Suíça. Oito anos depois, em 1908, sem apoio do governo de Guilherme II, o inventor alemão elevou o seu LZ 4 acima dos picos das montanhas alpinas. Doze horas de voo e mais de 380 Km percorridos valeram a Ferdinand von Zeppelin a aclamação da população e um generoso apoio financeiro. Apoio reiterado em 1908, quando o LZ 4 se despenhou nas margens do lago Constança. Somaram-se as doações acima dos seis milhões de marcos. Zeppelin constituía a sua empresa, a Luftschiffbau-Zeppelin GmbH.

Ainda antes da I Guerra Mundial, a frota de cinco dirigíveis operada pela companhia Zeppelin, somava 15 mil horas nos céus, 1.600 voos e 38 mil passageiros transportados. Ferdinand von Zeppelin almejava atingir novas latitudes com os seus dirigíveis. O oficial alemão sonhava com um voo polar, projeto adiado com o eclodir da I Guerra Mundial. Zeppelin morreu em 1917, 14 anos antes da concretização do voo que levou o gigantismo do dirigível LZ 127 Graf Zeppelin a uma nova fronteira a norte. Em agosto de 1931, a nave de 236 metros de comprimento, alcançou a latitude de 82ºN, muito acima do paralelo da latitude 66ºN, correspondente ao círculo polar ártico. A expedição científica Polarfahrt ("viagem polar" em alemão), reuniu na gôndola do dirigível uma equipa de cientistas dos Estados Unidos, da Alemanha, da União Soviética e da Suécia, numa década em que cresciam as tensões internacionais, anteriores à II Guerra Mundial.

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