Alterações climáticas põem em causa luta contra pobreza

A organização não-governamental Oxfam alertou hoje para a extrema vulnerabilidade dos países pobres face às alterações climáticas, exigindo aos países mais industrializados mais dinheiro para salvar da fome milhões de pessoas no mundo.

Num relatório publicado a dois dias da cimeira do G8 (sete países mais industrializados e a Rússia), que começa quarta-feira em Itália, a Oxfam adverte que os ganhos obtidos pelos países mais pobres na luta contra a pobreza nos últimos 50 anos "podem ser perdidos totalmente e de forma irreparável por causa das alterações climáticas".

"O verdadeiro custo das alterações climáticas não se mede em dólares mas em milhões de vidas", salienta a organização, apelando aos países do G8 para se comprometerem imediatamente com uma redução de, pelo menos, 40 por cento das suas emissões de gases com efeito de estufa até 2020.

A Oxfam exige ainda aos países mais industrializados do mundo um aumento adicional dos apoios económicos para os países em desenvolvimento, nomeadamente um investimento de 150 mil milhões de dólares (107 mil milhões de euros) para ajudar os países pobres a adaptarem-se aos efeitos climáticos e reduzirem as suas emissões poluentes.

No entender da Oxfam - estrutura que reúne organizações não-governamentais (ONG) que lutam contra a pobreza -, o G8 deve assumir este desafio e proteger, com especial ênfase, a região da África subsariana, que enfrenta três crises ao mesmo tempo: económica, alimentar e a derivada das alterações climáticas.

A principal preocupação, destaca a organização, é o risco de "multiplicação das fomes", dado que algumas culturas de base, como o milho e o arroz (vitais para as populações mais pobres), são especialmente sensíveis aos aumentos de temperatura e aos extremos climáticos.

Segundo a Oxfam, os impactos das secas, inundações e fenómenos extremos que acompanham os desequilíbrios do clima serão especialmente severos na alimentação e saúde dos países do Sul, uma situação que também terá graves repercussões a nível da segurança.

A médio prazo, a organização prevê que 375 milhões de pessoas sejam afectadas por desastres relacionados com o fenómeno climático e outras 200 milhões forçadas a abandonar as suas casas por causa da fome, degradação ambiental e perda de terras férteis.

Para elaborar o presente relatório, a Oxfam baseou-se nas conclusões de 2500 cientistas internacionais que se reuniram em Março, na Dinamarca, tendo depois cruzado estas previsões com os estudos das agências da ONU para a agricultura, refugiados e saúde.

O clima vai ser um dos principais temas em destaque na cimeira dos oito países mais industrializados do mundo - Estados Unidos, Canadá, Rússia, Japão, França, Alemanha, Reino Unido e Itália.

Uma das prioridades assumidas pelos líderes do G8 é impulsionar um novo acordo global pós-Quioto, que deverá ser carimbado durante a cimeira de Copenhaga, no próximo mês de Dezembro.

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