Exclusivo As duas vozes cativas do passado que IRENE libertou

A tecnologia de imagem digital IRENE trouxe ao século XXI a possibilidade de resgatar sons que se pensavam prisioneiros do tempo em velhos cilindros de gravação. Entre eles, duas gravações que são testemunhos de mundos desaparecidos, a voz derradeira de uma tribo norte-americana e aquele que é o primeiro registo de um som humano.

A 29 de agosto de 1911, o último membro da tribo Yahi, povo nativo norte-americano, desceu das montanhas setentrionais da vasta cordilheira da Serra Nevada, na Califórnia. Nos 49 anos anteriores, tantos quantos tinha de vida, Ishi escondera-se nos penedos e florestas. No fim, face à morte de todos os que lhe eram próximos, tomado pela fome, Ishi deixou-se ver. Nas décadas anteriores, o seu povo fora vítima do genocídio que obliterara entre 1900 a 3000 seres humanos. As vagas de colonos que chegavam do leste do país, traziam a ambição do ouro e posse de terra e também as armas de fogo que os Yahi desconheciam.

Ishi foi acolhido por um grupo de investigadores da californiana Universidade de Berkeley, nas proximidades de São Francisco. No grupo, destacou-se o antropólogo Alfred L. Kroeber que, nos cinco anos seguintes, até 1916, ano da morte de Ishi, registou para a posteridade mais de cinco horas de gravação com a voz da última testemunha de uma cultura ancestral. Ishi cantou, narrou histórias e mitos, descreveu cerimónias, relatou o quotidiano do seu povo. Kroeber confiou ao futuro a derradeira voz à boleia de um conjunto de cilindros em cera, o processo de registo de som utilizado no grafofone. Na época, a humanidade experienciava as primeiras tecnologias capazes de gravar a voz, para a reproduzir mais tarde. Em 1877, o norte-americano Thomas Edison apresentou o seu fonógrafo de cilindro, depois melhorado pelo conterrâneo Alexander Graham Bell que patenteou o grafofone.

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