Prédio de Robles em anúncio de luxo

O prédio da controvérsia esteve à venda na imobiliária Porta da Frente - Christie's, de luxo, para possível investimento em alojamento local.


O prédio de Ricardo Robles, o vereador do Bloco de Esquerda que defende o controlo do alojamento local e critica a especulação imobiliária, esteve à venda precisamente para esse fim, na brochura de Fevereiro da imobiliária Christies- Porta da Frente, especialista no mercado do luxo.

Este anúncio falava de um "prédio totalmente remodelado com 728 m2 de área bruta privativa". E referia muito claramente que o prédio era bom "para investimento em área prime de Alfama". Até porque, referia, os apartamentos estavam "prontos" para serem "utilizados em Short Term Rental": "Todos possuem cozinha equipada, vidros duplos, ar condicionado e piso em madeira tábua corrida".

Segundo a brochura, o preço proposto era 5,7 milhões de euros.

O prédio tem 11 apartamentos e três lojas, 728 metros quadrados, e está "localizado em frente ao Terminal de Cruzeiros de Lisboa, ao lado do Museu do Fado e do charmoso Largo do Chafariz de Dentro".

Este é o prédio da polémica, que, segundo o Jornal Económico foi comprado em 2014 e levou obras de reabilitação no valor de 650 mil euros.

O vereador do Bloco de Esquerda, que ao longo dos últimos anos tem estado na primeira linha da denúncia contra a especulação imobiliária, reagiu às notícias em conferência de imprensa: "Não há nada de reprovável na minha conduta."

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.