Pena e Castelo de São Jorge: os monumentos recordistas de visitas

Castelo de São Jorge e Palácio da Pena são os monumentos nacionais mais visitados. Mas a proporção de cidadãos nacionais é, respetivamente, de 5% e de 11% do total. Preço dos ingressos, sobretudo em Sintra, é um obstáculo.

Com cerca de dois milhões de visitantes cada em 2018, o Castelo de São Jorge, em Lisboa (2 021 242 entradas), e o Parque e Palácio Nacional da Pena, em Sintra (1 976 367), estão numa liga à parte no que respeita aos monumentos nacionais mais populares. Mas em comum, além da gestão empresarial, os dois espaços têm o facto de serem muito mais procurados por estrangeiros do que por cidadãos nacionais. Uma tendência que se tem vindo a acentuar.

No Castelo, de acordo com dados divulgados em fevereiro pela EGEAC, a empresa municipal que gere este equipamento cultural, 95% das entradas do ano passado foram de estrangeiros. Já na Pena, segundo comunicou ao DN a Parques de Sintra-Monte da Lua, os "217 400 visitantes de origem nacional" representaram apenas "11% do total de entradas neste monumento".

A explicação mais óbvia é o crescimento do turismo, sobretudo na Grande Lisboa. Há outros monumentos muito populares em que a esmagadora maioria das entradas é de estrangeiros, como a Torre de Belém (92,6%) e o Mosteiro dos Jerónimos (90%). E a tendência é geral: de acordo com dados de 2017 da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), 68,6% dos visitantes dos museus, monumentos e palácios nacionais sob gestão desta entidade são estrangeiros, com a percentagem a subir para os 82,4% no caso dos monumentos.

Mas há outros fatores. No que respeita ao Castelo de São Jorge, a EGEAC defende ao DN que "a tendência que se verifica" está "infelizmente associada à baixa participação cultural dos portugueses em geral", considerando o número de visitantes portugueses por ano, "cerca de 90 mil", "ainda assim bastante significativo".

50 euros por um bilhete de família

E os preços? São ou não um obstáculo? No Castelo de São Jorge, apesar de a gestão ser empresarial, as políticas seguidas não diferem muito daquelas que são praticadas nos equipamentos a cargo da DGPC. A entrada normal custa dez euros mas ninguém paga até aos 13 anos e depois disso, até aos 25 anos, paga apenas cinco euros. Também os maiores de 65 anos têm uma tarifa reduzida de 8,5 euros.

Já em Sintra, o cenário é bastante distinto. Sobretudo no que respeita ao mais popular dos seus monumentos, responsável por dois terços de todas as entradas que regista. Um casal com dois filhos que queira entrar no Palácio da Pena terá de desembolsar cerca de 50 euros. Separadamente os ingressos ficam ainda mais caros (14 euros por adulto e 12,5 por bilhetes jovem ou sénior). Preços que a empresa justifica com o facto de ser sujeita à cobrança de "IVA à taxa de 23%, enquanto os restantes monumentos nacionais geridos pela DGPC são taxados a 0%".

Mas as diferenças estendem-se à política de isenções: contrariando a prática dos restantes monumentos do país, toda a gente paga a partir dos 6 anos. À exceção dos residentes.

Em ambos os casos a entrada é gratuita ao domingo para os moradores no respetivo concelho. Mas no caso do património gerido pela Monte da Lua, o impacto desta benesse tem sido residual. Sobretudo tendo em conta a riqueza do património cultural a cargo da empresa, a maior parte do qual classificado pela UNESCO em 1995, onde se incluem ainda os palácios nacionais de Sintra e de Queluz, o Castelo dos Mouros, Monserrate, "Cap" e o Chalet.

Em 2018, mais uma vez de acordo com dados pedidos pelo DN a esta empresa, apenas 30 958 munícipes visitaram os diversos equipamentos sob a sua gestão, correspondendo apenas a "6,35% no universo dos visitantes nacionais". Ou seja: a esmagadora maioria dos portugueses que visitou estes monumentos teve de pagar. E essa percentagem não chega sequer ao meio ponto percentual quando é considerada a totalidade dos ingressos na Pena.

"O património não é só de Sintra"

Apesar de outras questões polémicas, nomeadamente a questão dos vencimentos, que já geraram protestos dos funcionários, a Monte da Lua - cujoscapitais são repartidos pela Direção-Geral do Tesouro e Finanças (35%), o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, I.P. (35%), o Turismo de Portugal, I.P. (15%) e a Câmara Municipal de Sintra (15%) - tem uma excelente reputação nacional e internacional. Ao longo dos anos, acumulou muitos prémios internacionais, incluindo os famosos World Travel Awards, sobretudo pelo seu trabalho ao nível da conservação e restauro.

E, em declarações ao DN, José Alberto Ribeiro, presidente da comissão nacional portuguesa do Conselho Internacional de Museus (ICOM), faz questão de começar por sublinhar a "inquestionável mais-valia" que o modelo de gestão da empresa tem constituído a esse nível. No entanto, considera também que certas políticas da empresa, nomeadamente "o preço" das entradas, podem estar a levar a que muitos portugueses não consigam beneficiar desse trabalho.

"As pessoas de Sintra têm vantagens em relação às entradas mas, de facto, o património não é só de Sintra", considera. "Estamos a falar de um património que é nacional, que abrange pelo menos três grandes palácios - Queluz, o da Vila de Sintra e o da Pena - com coleções nacionais. E para a maioria das pessoas, se pensarmos numa família de pelo menos quatro, torna-se de facto dispendioso. E não há grandes isenções."

No total, a empresa registou em 2018 um total de 3 513 200 entradas em todos os seus parques e monumentos, um aumento de 10% face ao ano anterior. Os visitantes distribuíram-se em 86% de estrangeiros (sobretudo britânicos, franceses e espanhóis) e 14% de portugueses.

A Monte da Lua disse ao DN ter em preparação medidas destinadas a reforçar a presença de visitantes nacionais, mas escusou-se a revelar quais são, explicando que estão ainda "em estudo".

Quebra de 400 mil visitantes nos espaços sob tutela da DGPC

Ao contrário do Castelo de São Jorge e dos equipamentos a cargo da Monte da Lua, que mantiveram a trajetória de crescimento, o ano de 2018 não foi particularmente positivo no que respeita aos acessos aos principais palácios, museus e monumentos nacionais. Nomeadamente aqueles que estão sob tutela da DGPC.

De acordo com dados divulgados por esta entidade, no ano passado houve uma quebra de 7,8% nos visitantes (menos 394 859 pessoas), num total de 4 677 407 entradas, tendo o Mosteiro dos Jerónimos sido o mais visitado dessa lista, com mais de um milhão de entradas.

Foi a primeira vez desde 2014 que não se registou um aumento no total de visitantes.

Entre os monumentos a cargo da DGPC, o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém - apesar da quebra registada - mantiveram-se como os mais visitados, seguindo-se o Mosteiro da Batalha (407 950 visitantes), o Convento de Cristo, em Tomar, e o Palácio de Mafra, respetivamente com 348 510 e 340 695 visitas.

Os mais visitados

Incluindo os equipamentos sob gestão da DGPC ou de outras entidades, os cinco palácios e monumentos mais visitados em 2018 foram:

1. Castelo de São Jorge (Lisboa)

- 2 021 242 visitantes

2. Parque e Palácio Nacional da Pena (Sintra)

- 1 976 367 visitantes

3. Torre dos Clérigos (Porto)

- 1 300 000 (estimativa em dezembro)

4. Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa)

- 1 079 459 visitantes

5. Castelo dos Mouros (Sintra)

- 592 578 visitantes

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