Governo ordena inquérito a atuação da PSP no caso da agressão a jovem luso-colombiana

Comunicado do ministro Eduardo Cabrita garante tolerância zero para "fenómenos de violência e manifestações de cariz racista ou xenófobo."

"O Ministro da Administração Interna garante que não tolerará fenómenos de violência nem manifestações de cariz racista ou xenófobo." É com esta frase, que situa a agressão perpetrada na noite de São João por um segurança da empresa 2045 atuando como fiscal do Serviço de Transportes da Cidade do Porto sobre uma jovem de 21 anos, Nicol Quinayas, no contexto do racismo e da xenofobia, se que inicia o comunicado do MAI.

E prossegue: "Na sequência das questões suscitadas hoje por vários partidos parlamentares, relativas a uma ocorrência envolvendo uma cidadã colombiana no Porto, o Ministério da Administração Interna informa que, através da Inspeção Geral da Administração Interna, foi aberto um processo administrativo, que visa o esclarecimento da situação junto da Polícia de Segurança Pública."

Este comunicado responde aos requerimentos de BE e PCP sobre o caso, solicitando ao MAI que se pronunciasse sobre o ocorrido e informação sobre a atuação da PSP, tendo o PCP considerado que "a gravidade do ocorrido e as suspeitas existentes quanto ao comportamento dos agentes da PSP impõem que a Inspeção Geral da Administração Interna apure todos os factos e apure as respetivas ilações." Também o PS, pela voz do presidente do grupo parlamentar, Carlos César, exortou o governo a agir e a não tratar "o que se passou como uma mera desavença".

A comunicação do MAI termina certificando que "estão em processo legislativo as alterações à Lei da Segurança Privada."

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.