Deputados querem suspensão da Linha Circular em Lisboa e defendem metro até Loures

Construção da Linha Circular do metro em Lisboa recebe voto negativo dos deputados. Que aconselham o governo a dar prioridade à expansão deste meio de transporte para Loures.

O governo deve decidir a "suspensão da construção da Linha Circular do Metropolitano de Lisboa" e a empresa que explora este transporte deve proceder "à realização dos estudos técnicos e económicos necessários com vista à sua expansão prioritária para o Concelho de Loures".

Estas duas recomendações, que contestam as decisões do governo em avançar com a construção de duas estações em Lisboa de forma a existir uma linha de metro circular na cidade, fazem parte do conjunto de nove "conselhos" que os deputados da Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas aprovaram esta quarta-feira e que vão ser discutidos e votados esta sexta-feira no plenário da Assembleia da República.

A resolução com o título "Recomenda ao Governo um efetivo investimento no Metropolitano de Lisboa e um plano de expansão que sirva verdadeiramente as populações, com a suspensão do projeto de expansão da Linha Circular" recebeu os votos a favor dos eleitos pelo PSD, BE, CDS-PP e PCP, a abstenção do PS, não tendo estando presentes na sessão os representantes do PEV e do PAN.

Neste documento, assinado pelo deputado do CDS-PP Hélder Amaral, que preside à comissão parlamentar, o Metropolitano de Lisboa é aconselhado a proceder a "um estudo técnico e de viabilidade económica que permita uma avaliação comparativa entre a extensão até Alcântara e a linha Circular".

Na sequência das audições efetuadas após a entrega na Assembleia de uma petição, que teve mais de 31 mil assinaturas e em que a primeira era a do presidente da Câmara de Loures Bernardino Soares, defender a expansão da rede de metro até Loures, esta resolução deixa expressa a necessidade de serem efetuados estudos técnicos e económicos para a "expansão [do metropolitano] prioritária para o Concelho de Loures".

Também é pedido que seja feita uma "avaliação global custo-benefício abrangendo as várias soluções alternativas para a expansão da rede para a zona Ocidental de Lisboa".

A aprovação desta resolução, que também deve ser votada favoravelmente esta sexta-feira no plenário da AR, vai contra a decisão do metropolitano de criar uma Linha Circular em Lisboa - prolongamento entre a Estação do Rato (Linha Amarela) e a Estação do Cais do Sodré (Linha Verde). , já aprovada em Conselho de Ministros - e que também já teve um parecer da Agência Portuguesa do Ambiente em que foram levantadas algumas objeções ao projeto que a ser cumprido vai fazer com que surjam duas novas estações na cidade: Estrela e Santos.

O concurso para as primeiras intervenções foi aprovado a 9 de janeiro e o investimento total previsto para esta fase de expansão é de 210 milhões de euros, até 2023, sendo cofinanciado em 127,2 milhões pelo Fundo Ambiental e em 83 milhões pelo Fundo de Coesão, através do Programa Operacional de Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos - POSEUR.

Na resolução que vai esta sexta-feira a votos é pedido que se "proceda a um estudo global de mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa, nomeadamente quanto a redes de transporte público, ligação de modos de transporte, intermodalidade e interface".

É ainda chamada a atenção para a "urgente contratação dos trabalhadores necessários à manutenção e ao normal funcionamento do Metropolitano, tendo em conta as diversas áreas onde existe carência de pessoal", a "reposição dos materiais necessários à manutenção e reparação do material circulante e dos equipamentos", a "realização urgente de obras nas estações que necessitam de intervenção, principalmente devido às infiltrações" e a "garantia das devias condições de acesso aos utentes [do metropolitano] com mobilidade reduzida ou condicionada".

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