Jamaica, Tokio e Europa saem da rua Cor de Rosa

Tokyo, Jamaica e Europa vão mudar para o Cais do Gás e no edifício das discotecas nascerá o hotel há muito anunciado. Câmara de de Lisboa diz que, mesmo que mais curta, animação noturna na rua é para manter.

Ao fim de quase três anos de avanços e recuos, há solução à vista para as três discotecas míticas do Cais do Sodré. Tokyo, Jamaica e Europa vão mudar-se para o Cais do Gás, onde já se instalaram os históricos B. Leza e Titanic sur Mer, herdeiro do Maxime.

A Câmara Municipal de Lisboa disse ao DN que conseguiu negociar a relocalização de vários armazéns naquela zona do Cais do Sodré onde estava instaladas associações náuticas.

Quando estas estiverem vazias, arrancarão as obras de readaptação dos clubes - pagas pelos proprietários dos clubes. Ainda que a autarquia prefira não apontar uma data, mas o dono do Tokyo e do Jamaica, Fernando Pereira, disse ao Observador que os trabalhos deverão estar prontos no próximo ano.

Cumprir a distância entre a antiga e a nova localização dos clubes não demora mais de dez minutos a pé. Apesar da autarquia garantir ao DN que não é seu objetivo criar umas novas "Docas", a verdade é que vai passar a existir um novo aglomerado de clubes - neste caso, uma zona de acolhimento de instituições históricas da noite da capital.

No edifício da Rua Nova do Almada - transformada em Rua Cor de Rosa - onde as três discotecas estavam instaladas nascerá um hotel. Em março de 2016, os estabelecimentos noturnos foram notificados de que teriam de abandonar o espaço para que as obras pudessem arrancar.

Um abaixo-assinado de vários cidadãos lisboetas e uma recomendação da Assembleia Municipal adiaram a retirada. São, afinal, bares históricos, com quase 50 anos de atividade na capital. O mais antigo, o Jamaica, tinha oportunidade de permanecer na Rua Nova do Almada, com obras de remodelação. Mas os proprietários preferiram acompanhar as outras casas.

A Rua Cor de Rosa fica assim mais curta, apenas na vertente a sul do arco da Rua Nova do Almada. A câmara recusa qualquer crítica que aponte para uma tentativa de destruir um dos eixos fundamentais da noite da cidade.

No caso das discotecas que agora saem, a autarquia afirmou-se como mediador - foi afinal o propietário que vendeu o edifício para construção de um hotel. E, em resposta ao DN, o município garante não ter qualquer intenção de desmantelar a animação noturna na rua Cor de Rosa para preservar o sossego dos clientes das novas estruturas hoteleiras.

Em 2016, quando a Assembleia Municipal aprovou um regulamente para os estabelecimentos noturnos, definindo novos horários e medidas de contenção do ruído, a maioria dos bares e discotecas da rua instalaram limitadores de som e sistemas de insonorização dos espaços. Por isso, diz a Câmara Municipal de Lisboa, estão ali para ficar.

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