Câmara de Lisboa prepara medidas para combater a acumulação de lixo na rua

A autarquia da capital admite contratar mais funcionários para combater "situação excecional" de acumulação de lixo na cidade.

A Câmara Municipal de Lisboa considerou esta terça-feira que a acumulação de lixo na cidade é "uma situação excecional", uma vez que Lisboa está a viver um "momento de grande crescimento", e anunciou a preparação de "um novo pacote" de medidas para combater o fenómeno, como a "nova contratação de cantoneiros".

"Gostava de dizer que o município de Lisboa fez um investimento com paralelo difícil de encontrar nos últimos anos, em meios mecânicos, em equipamentos de proteção para os trabalhadores, e admitiu 350 novos cantoneiros [nos últimos dois anos], além dos que foram admitidos pelas juntas de freguesia", vincou o vereador das Finanças, João Paulo Saraiva, durante a Assembleia Municipal de Lisboa (AML).

O autarca referiu que Lisboa vive "hoje uma situação excecional, porque a cidade está num momento de grande crescimento" e, apesar de considerar benéfico esse crescimento, admite que o município da capital precisa de fazer mais.

"Não estamos satisfeitos com a situação e, por isso, preparamos um novo pacote [de medidas] que vai responder a essa situação excecional", afirmou.

A solução passa, por isso, "por abrir nova contratação para cantoneiros, criar novos equipamentos e mais meios mecânicos para fazer face ao que é a pressão da higiene urbana", além de "novas campanhas de sensibilização".

O vereador referiu aos jornalistas que as novas contratações deverão estar contempladas no próximo orçamento municipal.

A acumulação de resíduos nas ruas da capital foi um dos temas que dominou o debate da rentrée da Assembleia Municipal de Lisboa.

A deputada municipal do CDS-PP Margarida Penedo referiu que "as queixas sobre o lixo são bastantes" e "o que se vê é falta de limpeza" na cidade. O dedo é apontado à Câmara de Lisboa e, por essa razão, "a resposta do turismo" como justificação para o aumento de lixo nas ruas "não convence".

"Há zonas que não têm o problema do turismo e sentem isso", vincou, considerando que as juntas de freguesia e o município da capital "vão-se desculpando" na altura de atribuir responsabilidades.

A deputada do PAN Inês Sousa Real considerou que "é inegável que Lisboa está hoje mais suja".

O deputado do PCP Fernando Correia também se juntou às críticas e disse que "infelizmente nem tudo melhorou" nos serviços de higiene urbana da cidade. "É natural que haja mais produção de lixo, não queremos uma guerra política, mas sim trazer este assunto à ribalta", explicou.

A AML também rejeitou uma recomendação do PCP para "um serviço de higiene e limpeza urbana de qualidade na cidade de Lisboa", que solicitava à autarquia a contratação de mais funcionários, com os votos contra dos socialistas, PSD e seis deputados independentes, abstenção do CDS-PP, PPM e PAN e votos favoráveis das restantes bancadas.

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